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Lidando com dinheiro: você é do time da razão ou emoção?

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Altos e baixos

Assim como o mercado financeiro, nós também não somos tão racionais como gostaríamos quando o assunto é dinheiro. Em 2017, Richard Thaler foi laureado com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas por suas descobertas sobre como características humanas, como a falta de racionalidade e autocontrole, impactam as decisões financeiras e econômicas. 

Por exemplo, as pessoas tendem a valorizar o presente muito mais do que o futuro, o que as leva a gastar mais agora e se endividar, sem considerar adequadamente as consequências futuras.

Também temos dificuldades em resistir à tentação de gastar, mesmo quando sabemos que deveríamos economizar. Em muitas situações, usamos o que Thaler chama de “atalhos mentais”, que são mecanismos para simplificar a tomada de decisões complexas. O que nem sempre nos leva a resultados positivos.

Em seu livro “Nudge”, o economista norte-americano demonstra como pequenas intervenções podem ajudar as pessoas a tomar melhores decisões. Por exemplo:

  • Configurar transferências automáticas para uma conta de poupança logo após receber o salário. Isso usa a inércia a seu favor, garantindo que você economize regularmente sem precisar tomar uma decisão ativa a cada mês.
  • Usar contas separadas para diferentes objetivos financeiros, como despesas diárias e poupança. Assim, fica mais difícil gastar o dinheiro reservado para planos futuros ou emergências.
  • Listar suas dívidas dos maiores para os menores juros e configurar pagamentos automáticos para priorizar as dívidas mais caras, reduzindo o montante total de juros pagos ao longo do tempo.

Antes mesmo de ganhar o Nobel, Thaler já fazia sucesso com seus livros, com destaque para o best-seller “Nudge”, e fez até uma participação no filme “A Grande Aposta”, sobre a crise das hipotecas nos Estados Unidos em 2008. 

Em 2017, quando recebeu o prêmio de US$1,1 milhão (quase R$6 milhões), Thaler foi questionado sobre como gastaria o dinheiro. Bem-humorado, ele respondeu: “Vou tentar gastar da forma mais irracional possível”.

Sobre o autor Livia Filadelfo

Correspondente independente baseada em Amsterdã, com foco em política europeia, sociedade e economia. Foi repórter da TV Cultura, cobrindo eventos como o Fórum Econômico Mundial. Antes de se mudar para a Europa, trabalhou como editora nas principais emissoras do Brasil.

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