Nesta quinta-feira, 1 de agosto, o dólar à vista subiu fortemente frente ao real, atingindo R$ 5,73, a maior cotação desde dezembro de 2021. A alta de 1,43% reflete uma combinação de fatores internos e externos, criando uma “tempestade perfeita” que desvalorizou a moeda brasileira.
Fatores da alta do dólar
Analistas apontam que diversos elementos contribuíram para essa valorização. Entre eles estão:
- Valorização do Iene: a alta do iene japonês provocou uma saída de capital de outras moedas emergentes.
- Dados Econômicos dos EUA: indicadores econômicos fracos nos Estados Unidos fortaleceram o dólar como ativo de refúgio.
- Decisão do Copom: a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros estáveis tornou o real menos atraente.
- Tensão Geopolítica: o risco de escalada do conflito entre Israel e Palestina aumentou a busca por segurança no dólar.
Cotação do dólar
O dólar comercial subiu 1,43%, sendo cotado a R$ 5,734 na compra e R$ 5,735 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento também subiu, alcançando 5.755 pontos. Essa é a maior cotação de fechamento desde 21 de dezembro de 2021, quando a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,7394.
Impacto na economia brasileira
Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, comentou que o movimento da moeda no Brasil está alinhado com o externo, mas se mostra mais acentuado aqui devido a vários fatores. Apesar das preocupações do Copom com os efeitos do câmbio sobre a inflação, não há indicativo de aumento da taxa básica de juros a curto prazo, o que é visto como negativo para o real.
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Além disso, a percepção de que o Banco Central (BC) não fará intervenções no mercado por enquanto influencia a força do dólar ante o real. Ordens de stop loss foram disparadas quando o ele se aproximou dos R$ 5,70, amplificando o movimento no câmbio.
Fatores geopolíticos
A tensão geopolítica também favoreceu o dólar. A possibilidade de o conflito entre Israel e Palestina se espalhar pelo Oriente Médio, especialmente após a morte do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, fez com que a moeda americana se valorizasse em relação a várias moedas emergentes.
Reversão de fluxo
Outro fator que impactou essa valorização foi a reversão de fluxo proveniente das operações de carry trade com o iene. O Banco do Japão aumentou os juros, diminuindo o interesse nessas operações, o que contribuiu para a pressão sobre o real.
Índice dólar
O índice dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda americana frente a seis outras moedas, subiu 0,29%, alcançando 104,40 pontos.
Ou seja, a alta reflete uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos que desvalorizaram o real. Os analistas destacam que, enquanto o cenário externo continuar incerto e o Banco Central não intervir no mercado, o real permanecerá sob pressão. O aumento dos juros no Japão e a estabilidade dos juros no Brasil são elementos cruciais nesse cenário, reforçando sua posição como moeda de refúgio.


