A força do dólar contribui para a alta nos preços dos alimentos e na inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou um aumento de 0,39% em novembro, conforme dados divulgados pelo IBGE em 10 de dezembro de 2024. Economistas indicam que a pressão sobre os preços, especialmente no grupo Alimentação e Bebidas, deve continuar em dezembro.
Em novembro, o grupo Alimentação e Bebidas teve um crescimento de 1,55%, com destaque para a alta nas carnes, que subiram 8,02%. André Braz, economista do Ibre/FGV, prevê que os números de dezembro devem seguir a mesma tendência. Ele afirmou que “o grupo de Alimentação continuará sob pressão, devido ao ciclo agropecuário, à desvalorização cambial e ao aumento sazonal do consumo”.
Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, acrescenta que a desvalorização do real em relação ao dólar continuará afetando os preços, enquanto outros fatores, como o mercado de trabalho aquecido e as expectativas inflacionárias elevadas, também têm um papel na pressão sobre a inflação.
Por outro lado, a energia elétrica, que ajudou a amenizar a inflação em novembro, deverá ter um impacto menor em dezembro. A substituição da bandeira amarela pela verde trará uma redução no custo, embora seja inferior à mudança da vermelha para a amarela, conforme Braz.
A desaceleração de novembro foi parcialmente influenciada pela Black Friday, o que fez com que o índice ficasse abaixo dos 0,56% registrados em outubro. Contudo, Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, alerta para uma possível deterioração na qualidade da inflação, ao analisar a média trimestral. Ele projeta que o IPCA encerrará o ano com uma alta de 4,93% e atingirá 5,51% em 2025.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, destaca que, embora a desaceleração estivesse dentro das expectativas, o grupo de Serviços mostrou uma pressão superior à prevista, o que deve manter o mercado atento.


