Muito se anuncia sobre o novo pacote econômico do governo federal, voltado à normalização de preços de produtos essenciais da alimentação dos brasileiros — como arroz, feijão, leite, óleo de soja, café, farinha, ovos e carnes. A expectativa é positiva, mas especialistas alertam: os efeitos práticos dessas ações podem levar no mínimo 60 dias para chegar, de fato, à mesa do consumidor. E a grande pergunta é: por que essa demora?

Sem fiscalização rigorosa e articulação efetiva entre União, Estados e Municípios, há o risco real de a desoneração se perder no meio do caminho — retida nos elos intermediários da cadeia, como distribuidoras, atacadistas e varejistas, sem alcançar o destino final: o consumidor.
O efeito deveria ser automático, já que, uma vez promulgadas e publicadas as medidas, o mercado estaria autorizado a praticar preços mais baixos. Mas, na prática, o tempo entre o anúncio e a aplicação real nos supermercados pode se transformar num verdadeiro labirinto burocrático e estratégico — com muitos interessados em manter margens de lucro infladas, mesmo com incentivos públicos.
É fundamental que os entes federativos dialoguem de forma republicana, com foco no cidadão. A independência legislativa de cada estado não pode ser justificativa para distorções regionais, pois, afinal, seja em São Paulo, no Rio, no Norte, no Sul ou no Nordeste, somos todos brasileiros — e o consumidor não pode continuar vendo o supermercado como um inimigo que precisa vencer diariamente.


