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Páscoa terá ovos mais caros e menos chocolate em 2025

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Os consumidores brasileiros enfrentarão uma Páscoa diferente em 2025. Com a disparada do preço do cacau, o chocolate está mais caro e os tradicionais ovos de Páscoa estão em menor quantidade no mercado. Esse cenário é resultado de uma crise global na produção da matéria-prima, que acumula três anos consecutivos de déficit.

 Com a Páscoa de 2025 se aproximando, a recomendação é antecipar as compras para garantir melhores preços antes de possíveis novos reajustes | Foto: Reprodução/Canva
Com a Páscoa de 2025 se aproximando, a recomendação é antecipar as compras para garantir melhores preços antes de possíveis novos reajustes | Foto: Reprodução/Canva

Preço do cacau dispara e impacta o mercado

Nos últimos dois anos, o preço da amêndoa do cacau subiu 190% na Bolsa de Nova York, atingindo um pico histórico de US$ 11.040 por tonelada em dezembro de 2024, o equivalente a aproximadamente R$ 54.500.

A principal causa desse aumento é a escassez do produto devido a problemas climáticos em países africanos, responsáveis por 70% da produção mundial. A Costa do Marfim, maior produtora global, registrou uma queda expressiva na colheita, reduzindo a oferta no mercado.

O Brasil, que responde por apenas 4% da produção mundial, também sofreu com adversidades climáticas e pragas, como a podridão parda, reduzindo sua produção. Como consequência, o país precisou aumentar as importações para suprir a demanda interna.

O preço do cacau importado subiu significativamente, pressionando ainda mais o custo da matéria-prima para a indústria nacional.

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Indústria reduz produção de ovos de Páscoa

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) prevê uma queda de 22,4% na produção de ovos de Páscoa em 2025. O número de unidades fabricadas caiu de 58 milhões em 2024 para 45 milhões neste ano.

Além disso, as empresas adotaram estratégias como a redução no tamanho dos produtos e a diversificação do mix de chocolates para minimizar o impacto nos preços.

Segundo Francisco Queiroz, analista da consultoria Agro do Itaú BBA, o chocolate ao leite continua sendo o preferido dos brasileiros, mas o mercado tem investido em variações com frutas e oleaginosas para atrair os consumidores. Além disso, algumas marcas começaram a investir em chocolates com menor teor de cacau e mais aditivos para reduzir custos, o que pode impactar a qualidade do produto final.

Preços do chocolate já subiram

A alta do cacau já está sendo sentida no bolso do consumidor. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o chocolate em barra e os bombons registraram aumento de 16,53% nos últimos 12 meses até janeiro. Já o chocolate em pó subiu 12,49% no mesmo período.

A Cacau Show, por exemplo, anunciou reajustes de 8% a 10% nos preços para a Páscoa deste ano, índice inferior ao aumento do custo da matéria-prima, o que reduzirá a rentabilidade da empresa. A Kopenhagen e a Nestlé também sinalizaram reajustes nos preços, com aumentos médios de até 15% dependendo do produto.

Além disso, consumidores relataram que ovos de Páscoa que custavam cerca de R$ 50 no ano passado agora estão sendo vendidos por aproximadamente R$ 65, enquanto versões premium ultrapassam os R$ 150 em algumas redes de supermercados.

Futuro da produção de cacau

Especialistas apontam que a recuperação do setor pode levar pelo menos seis anos, tempo necessário para que um cacaueiro recém-plantado atinja sua produção ideal. No Brasil, há potencial para crescimento da produção, mas isso depende de investimentos em renovação das lavouras e incentivos ao produtor.

Enquanto isso, os consumidores devem se preparar para pagar mais caro pelo chocolate nos próximos anos. Com a Páscoa de 2025 se aproximando, a recomendação é antecipar as compras para garantir melhores preços antes de possíveis novos reajustes.

Além disso, o mercado pode observar um aumento na busca por alternativas ao chocolate tradicional, como doces à base de amêndoas e castanhas, que podem se tornar opções mais acessíveis para os consumidores.

*Entrevistas concedidas ao G1

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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