O preço do café subiu quase 40% no mercado internacional em 2024 e a tendência é de que continue em alta pelos próximos quatro anos.
O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em um relatório divulgado nesta sexta-feira, 14 de março. Segundo a entidade, a escalada dos preços se deve a uma combinação de fatores climáticos, logísticos e de demanda.

A alta dos preços já tem sido sentida nos mercados globais. O café arábica, um dos mais consumidos no mundo, registrou aumento de 70% na bolsa Intercontinental Exchange (ICE) no ano passado e de mais de 20% só nos primeiros meses de 2025.
O Brasil, um dos principais produtores, viu a inflação do café disparar 66,18% no acumulado de 12 meses até fevereiro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O impacto no bolso do consumidor
Embora os preços do grão tenham disparado, a FAO destaca que o impacto no varejo não será totalmente proporcional. Outros fatores, como transporte, torrefação e embalagem, também influenciam os valores pagos pelos consumidores.
De acordo com o relatório, na União Europeia, 80% do aumento dos preços do grão será repassado aos consumidores em até 11 meses. Nos Estados Unidos, esse repasse ocorrerá em um período menor, de aproximadamente oito meses.
Leia também: Como regularizar um CPF? Veja o passo a passo completo
No Brasil, o efeito pode ser ainda mais imediato devido à dependência do café na rotina dos consumidores. O país é o segundo maior mercado de consumo da bebida no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Com isso, especialistas apontam que o preço do café pode subir até 25% nos próximos dois meses.
O que está por trás da alta do café?
A elevação dos preços do café está relacionada a quatro principais fatores:
- Problemas climáticos: o calor e a seca dos últimos anos impactaram a produção do café, reduzindo a oferta. Em alguns países, como o Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, a produção caiu 20% na safra 2023/24, prejudicando as exportações.
- Aumento nos custos logísticos: conflitos no Oriente Médio elevaram os custos do transporte marítimo, encarecendo a exportação do produto.
- Maior demanda global: o consumo de café tem aumentado não apenas nos mercados tradicionais, mas também em novos destinos internacionais.
- Desvalorização cambial e especulação: a volatilidade do câmbio e a especulação nos mercados financeiros também impactam diretamente o preço da commodity.
O que esperar para os próximos anos?
A previsão da FAO é de que a alta dos preços do café persista pelos próximos quatro anos, especialmente se novos problemas climáticos reduzirem ainda mais a oferta do grão.
O relatório também destaca que os países produtores estão buscando alternativas para minimizar os impactos, como investimentos em novas técnicas de cultivo e aumento da produção em regiões menos afetadas pelo clima.
Para os consumidores, isso significa que o café deve continuar a pesar no bolso. Especialistas recomendam ficar atentos a promoções, comprar em atacado e considerar marcas alternativas para driblar a alta nos preços.
Relembre o preço do café nos últimos anos
Nos últimos anos, o preço do café tem oscilado devido a diversos fatores econômicos e climáticos. Em 2020, por exemplo, o preço do café arábica no Brasil girava em torno de R$ 500 a saca de 60 kg. No ano seguinte, impulsionado por geadas severas e problemas logísticos globais, o valor saltou para cerca de R$ 1.200 a saca.
Em 2022, a volatilidade continuou, com o café chegando a picos de R$ 1.500 antes de recuar. Já em 2023, a safra brasileira ajudou a conter parte da alta, mas os preços permaneceram acima dos patamares históricos, fechando o ano próximo de R$ 1.200 por saca.
Agora, em 2024, com os problemas climáticos persistentes e a crise no Vietnã, o café voltou a atingir novos recordes, reforçando as preocupações com o abastecimento e o impacto no bolso do consumidor.


