Em São Paulo, o cenário também é de aperto. O preço médio do aluguel por metro quadrado foi de R$ 68,83, com uma alta acumulada de 9,11% nos últimos 12 meses. Assim, um apartamento de 60 m² na capital paulista tem hoje valor médio de R$ 4.130 por mês.
O percentual médio de desconto nos contratos fechados ficou em 2,7%, o menor índice registrado desde o início da série histórica do levantamento, em 2020. Na prática, isso significa que os inquilinos estão pagando quase o preço cheio pelo imóvel, com pouca margem para negociação.
Alta está ligada ao IGP-M e à demanda aquecida
Um dos fatores que explicam essa escalada de preços é a retomada da alta do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), indicador tradicionalmente usado como base para o reajuste de contratos de aluguel. Em abril, o IGP-M subiu 0,24%, revertendo a queda de 0,34% registrada em março. No acumulado de 2025, o índice já apresenta alta de 1,23% e de 8,50% nos últimos 12 meses.
Outro fator que pressiona os preços é o aumento da demanda por imóveis alugados. Com os juros ainda elevados e o crédito imobiliário mais caro, muitos brasileiros adiaram o sonho da casa própria e optaram por alugar, aquecendo o mercado locatício.
Thiago Reis, gerente de Dados do Grupo QuintoAndar, explica que “os imóveis estão sendo alugados de forma muito rápida, e os proprietários estão menos dispostos a conceder grandes descontos”. Segundo ele, o início do ano já é tradicionalmente um período de maior movimentação, com mudanças de residência por motivos de trabalho ou estudo.
O impacto no bolso e nas escolhas
O aumento do aluguel pesa diretamente no orçamento das famílias, especialmente em um cenário onde a renda média do brasileiro não acompanha o ritmo da inflação dos aluguéis. Para quem vive de aluguel, o impacto pode representar a necessidade de rever prioridades, mudar para bairros mais distantes ou buscar imóveis menores.
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Por exemplo, um casal que pagava R$ 2.450 em um apartamento de 50 m² no Rio de Janeiro há um ano pode hoje estar pagando R$ 2.700, um acréscimo de R$ 250 mensais — valor que poderia cobrir parte da conta de energia ou uma parcela do mercado.
Em São Paulo, o aumento foi ainda mais significativo. Um imóvel de 70 m², que custava R$ 4.410 por mês, pode agora estar custando R$ 4.820, considerando a alta acumulada no preço por metro quadrado.
E o futuro?
A expectativa para os próximos meses depende de dois fatores principais: a inflação e a taxa de juros. Caso o Banco Central avance com cortes mais consistentes na taxa Selic, o crédito imobiliário pode voltar a ficar mais atrativo, aliviando a pressão sobre o mercado de aluguel.
Enquanto isso não acontece, especialistas recomendam cautela nas negociações, planejamento financeiro e pesquisa. Comparar preços, avaliar localização e não comprometer mais de 30% da renda com o aluguel continuam sendo boas práticas para manter a saúde financeira em dia.
Resumo dos valores do aluguel:
- Preço médio do aluguel por m² em SP: R$ 68,83
- Preço médio do aluguel por m² no RJ: R$ 45,33
- Alta em 12 meses no RJ: 10,44%
- Alta em 12 meses em SP: 9,11%
- Alta do IGP-M em 2025: 1,23% (acumulada)
- Desconto médio em SP: 2,7%
- Desconto médio no RJ: 0%


