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Fortuna dos 10 mais ricos dos EUA cresce US$ 365 bi em 2024

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Apesar de uma breve instabilidade nos mercados, os dez norte-americanos mais ricos ampliaram suas fortunas em US$ 365 bilhões (R$ 2,088 trilhões) no último ano, segundo uma análise recente da Oxfam — sigla para Oxford Committee for Famine Relief, uma organização internacional focada no combate à pobreza e à desigualdade.

O aumento representa cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,72 bilhões) por dia, em um contexto de profunda desigualdade econômica. Em comparação, um trabalhador típico dos Estados Unidos ganhou pouco mais de US$ 50 mil (R$ 286 mil) ao longo de 2023.

Fortuna dos mais ricos dos EUA cresce US$365 bilhões em 2024
O relatório da Oxfam sugere que as políticas atualmente em debate no Congresso podem beneficiar ainda mais essa elite econômica |Foto: Reprodução/Freepik

De acordo com a Oxfam, seriam necessários aproximadamente 726 mil anos para que dez trabalhadores norte-americanos com rendimentos medianos acumulassem o mesmo montante obtido por esses bilionários no período analisado. O relatório destaca a crescente concentração de riqueza no país e surge em meio a discussões no Congresso sobre um projeto de lei que pode aprofundar ainda mais essa disparidade.

A análise da Oxfam examinou as mudanças na fortuna dos dez principais nomes da Lista de Bilionários em Tempo Real da Forbes, entre o final de abril de 2024 e o final de abril de 2025. Elon Musk, CEO da Tesla e atualmente a pessoa mais rica do mundo, concentrou mais da metade desse crescimento, com um acréscimo de US$ 186,1 bilhões (R$ 1,064 trilhão) em seu patrimônio.

Outros nomes de destaque incluem Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Rob Walton, herdeiro do Walmart, que aumentaram suas fortunas em US$ 38,7 bilhões (R$ 221,4 bilhões) cada. Jim Walton, também herdeiro do Walmart, somou US$ 36,5 bilhões (R$ 208,8 bilhões), enquanto Warren Buffett, lendário investidor e CEO da Berkshire Hathaway, acumulou US$ 34,8 bilhões (R$ 199,1 bilhões).

Projeto de lei pode acentuar desigualdade e elevar dívida pública

O relatório da Oxfam sugere que as políticas atualmente em debate no Congresso podem beneficiar ainda mais essa elite econômica. O projeto de lei, apoiado pelos republicanos e classificado como uma prioridade legislativa do presidente Donald Trump, propõe tornar permanentes os cortes de impostos sobre a renda individual implementados em 2017, além de reduzir temporariamente tributos sobre gorjetas e horas extras.

Rebecca Riddell, líder sênior de políticas de justiça econômica e racial da Oxfam America, afirmou em nota que “a riqueza dos bilionários aumentou astronomicamente enquanto tantas pessoas comuns lutam para sobreviver”. A entidade também estimou que um imposto de 3% sobre a riqueza acima de US$ 1 bilhão (R$ 5,72 bilhões) arrecadaria cerca de US$ 50 bilhões (R$ 286 bilhões) apenas com os dez norte-americanos mais ricos — valor suficiente para fornecer assistência alimentar anual a aproximadamente 22,5 milhões de pessoas.

Contudo, a implementação de um imposto sobre a riqueza enfrenta obstáculos significativos. Além da dificuldade prática de avaliação precisa do patrimônio líquido, há dúvidas sobre sua constitucionalidade, levantadas por estudiosos do direito.

Segundo uma análise do Penn Wharton Budget Model, o projeto republicano poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em 0,5% na próxima década e em 1,7% ao longo de 30 anos, impulsionado por maior poupança e oferta de trabalho. Entretanto, os benefícios econômicos seriam distribuídos de forma desigual: os 10% mais ricos receberiam aproximadamente dois terços (65%) dos ganhos, enquanto os 20% mais pobres perderiam, em média, US$ 1.035 (R$ 5.920) até 2026, devido a cortes em programas como Medicaid e vales-alimentação.

Kent Smetters, professor da Wharton School e responsável pelo modelo orçamentário, ressaltou que o sistema tributário norte-americano já é altamente progressivo, com os 10% mais ricos pagando cerca de 70% de todos os tributos federais sobre renda e folha de pagamento. Ainda assim, progressistas, como a senadora democrata Elizabeth Warren, criticam o projeto, chamando-o de “doação” aos bilionários. “Os bilionários não precisam de mais um benefício, os trabalhadores sim”, declarou Warren.

Crescimento da dívida pública preocupa analistas e agências de risco

Por outro lado, a Casa Branca defende o projeto como um meio de estimular a economia e reduzir a desigualdade, argumentando que a agenda econômica de Trump, baseada em cortes de impostos e desregulamentação, diminuiu a desigualdade de riqueza durante seu primeiro mandato.

O debate ocorre em meio à preocupação com a crescente dívida pública dos Estados Unidos, que atingiu US$ 36 trilhões (R$ 205,9 trilhões). Na última semana, a Moody’s Ratings rebaixou a classificação de crédito do país, citando o aumento da dívida e os altos encargos com juros. Embora a Casa Branca afirme que o novo projeto não ampliará o déficit, entidades como o Comitê para um Orçamento Federal Responsável alertam que a proposta pode adicionar até US$ 5,2 trilhões (R$ 29,7 trilhões) à dívida nacional na próxima década, estimulando a inflação e elevando as taxas de juros.

Leia também: Quem são os herdeiros bilionários mais ricos de 2025?

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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