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Orçamento base zero: entenda e veja por que cresce

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O orçamento base zero, também conhecido pela sigla OBZ, é uma metodologia de planejamento financeiro que vem ganhando cada vez mais espaço entre empresas de diversos setores no Brasil e no mundo. Diferente do modelo tradicional, em que o orçamento de um ano se baseia no resultado do ano anterior, o OBZ parte do princípio de que todos os gastos e investimentos precisam ser justificados do zero, como se a empresa estivesse começando agora.

Essa estratégia tem atraído a atenção principalmente em tempos de incertezas econômicas, como os que vivemos atualmente, com juros elevados, inflação ainda pressionada e mudanças rápidas no comportamento do consumidor.

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OBZ não é apenas uma moda, mas uma evolução na forma como empresas e governos planejam e utilizam seus recursos | Foto: Reprodução/Canva 

orçamento base zero
OBZ não é apenas uma moda, mas uma evolução na forma como empresas e governos planejam e utilizam seus recursos | Foto: Reprodução/Canva

Segundo um levantamento da consultoria PwC, cerca de 25% das grandes empresas na América Latina afirmam já adotar o orçamento base zero ou ter planos de implementá-lo nos próximos anos. Esse movimento ocorre também no Brasil, onde empresas de setores como varejo, indústria e tecnologia buscam mais eficiência e controle sobre os seus gastos.

Como funciona o orçamento base zero?

No modelo tradicional de orçamento, as empresas partem do que foi gasto no ano anterior e ajustam pequenas porcentagens para mais ou para menos, dependendo do cenário previsto. Por exemplo, se uma empresa gastou R$ 1 milhão em marketing em 2024, pode simplesmente adicionar 5% para 2025, prevendo um gasto de R$ 1,05 milhão.

Já no orçamento base zero, esse raciocínio é completamente diferente. Cada departamento precisa justificar cada gasto, independentemente do que foi investido anteriormente. O objetivo é garantir que os recursos sejam destinados apenas para atividades que realmente agreguem valor ao negócio.

Por exemplo, se uma empresa pretende gastar R$ 1 milhão com marketing, terá que justificar essa quantia com base em metas e resultados esperados, e não simplesmente por tradição ou histórico.

Por que o orçamento base zero está em alta?

A adoção do orçamento base zero tem aumentado por vários motivos. Um deles é a busca por maior eficiência. Em um cenário econômico global desafiador, cortar custos de maneira inteligente se tornou essencial para manter a competitividade.

Além disso, com a transformação digital, muitas empresas perceberam que algumas despesas podem ser reduzidas ou até eliminadas. Por exemplo, com o avanço do home office, gastos com estrutura física, como aluguel e manutenção de escritórios, podem ser repensados.

Outra vantagem do OBZ é que ele estimula uma cultura organizacional mais consciente e focada em resultados. Cada gestor precisa ter clareza sobre os benefícios que os seus gastos trarão para a empresa.

Segundo um estudo da Deloitte, empresas que implementaram o orçamento base zero conseguiram reduzir, em média, de 10% a 25% de seus custos operacionais. Em valores, se uma empresa tem custos anuais de R$ 100 milhões, pode economizar entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões, o equivalente a US$ 1,96 milhão a US$ 4,91 milhões, considerando a cotação atual do dólar em torno de R$ 5,10.

Quais são as principais vantagens do OBZ?

Entre os principais benefícios do orçamento base zero estão:

  • Eficiência nos gastos: ao justificar cada despesa, evita-se o desperdício de recursos.
  • Alinhamento com os objetivos estratégicos: os investimentos passam a estar diretamente ligados às prioridades da empresa.
  • Transparência: o processo exige maior detalhamento e clareza sobre como e por que o dinheiro será gasto.
  • Cultura de responsabilidade: todos os gestores são estimulados a pensar de forma estratégica e responsável.

E quais são os desafios?

Apesar de suas vantagens, o orçamento base zero também apresenta desafios. O principal deles é o tempo e o esforço necessário para sua elaboração. Como cada gasto precisa ser analisado e justificado, o processo demanda mais dedicação do que o modelo tradicional.

Além disso, é preciso que a empresa tenha maturidade e processos bem definidos para que o OBZ seja implementado com sucesso. Sem uma boa estrutura de gestão, a metodologia pode gerar resistência interna e até comprometer a operação.

Por isso, muitas empresas optam por adotar o orçamento base zero de forma gradual, começando por alguns setores ou projetos específicos, antes de expandir para toda a organização.

Como o OBZ impacta a economia e os consumidores?

Com empresas mais eficientes, a tendência é que produtos e serviços sejam oferecidos a preços mais competitivos. Isso beneficia os consumidores e impulsiona o crescimento econômico.

Por outro lado, a busca por eficiência pode resultar na redução de quadros de funcionários ou no fechamento de unidades que não apresentem boa rentabilidade, o que também gera impactos no mercado de trabalho.

No setor público, o orçamento base zero também é discutido como uma forma de melhorar a alocação de recursos. Recentemente, o governo brasileiro chegou a avaliar a possibilidade de aplicar elementos do OBZ no planejamento orçamentário da União, com o objetivo de reduzir o déficit fiscal, atualmente estimado em cerca de R$ 200 bilhões, ou aproximadamente US$ 39,21 bilhões.

O futuro do orçamento base zero

Com as constantes mudanças no ambiente de negócios, a tendência é que o orçamento base zero continue ganhando espaço como uma ferramenta importante para a gestão financeira.

Empresas que souberem implementar essa metodologia de forma eficiente terão mais chances de se manter competitivas, inovar e gerar valor para seus acionistas e clientes.

Em resumo, o OBZ não é apenas uma moda, mas uma evolução na forma como empresas e governos planejam e utilizam seus recursos. Por isso, entender o que é e como funciona essa estratégia pode ser útil não apenas para quem trabalha na área financeira, mas para qualquer pessoa interessada em compreender melhor os rumos da economia.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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