O mercado global de petróleo registrou uma forte queda nesta segunda-feira, 23 de junho, com o preço do barril caindo mais de 7%, após um ataque militar do Irã contra alvos dos Estados Unidos no Oriente Médio.
A movimentação surpreendeu parte dos investidores e reforçou uma percepção importante no mercado: a de que o ataque iraniano foi simbólico e teve impacto limitado sobre a produção e a distribuição da commodity.

Na bolsa de Nova York (Nymex), o contrato de petróleo WTI para agosto caiu 7,22%, fechando a US$ 68,51 por barril, o que representa aproximadamente R$ 373,37. Já o Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 6,67%, sendo cotado a US$ 70,52 o barril, o equivalente à cerca de R$ 384,34, com base na cotação do dólar a R$ 5,45 em 23/06/2025, segundo o Banco Central do Brasil.
Apesar da retaliação iraniana que ocorreu após os EUA bombardearem instalações nucleares no Irã no fim de semana, 21 de junho, a resposta do país persa não atingiu estruturas estratégicas do mercado petrolífero. Foram disparados 11 mísseis contra bases norte-americanas no Catar e no Iraque, sem deixar vítimas. O governo iraniano ainda teria comunicado previamente as autoridades do Catar, o que reduziu significativamente os riscos de baixas e danos colaterais.
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Por que o preço do petróleo caiu?
O principal motivo da queda, segundo analistas, foi a percepção de que o ataque foi controlado e direcionado exclusivamente a alvos militares. Isso significa que a infraestrutura de produção e escoamento de petróleo, como oleodutos e instalações portuárias, permaneceu intacta.
Além disso, o Irã não demonstrou intenção de interromper o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Qualquer ameaça de bloqueio nesta região costuma gerar alta imediata nos preços, dado o potencial de desabastecimento global.
John Kilduff, sócio da Again Capital, declarou à Reuters que os fluxos de petróleo, por enquanto, não são o alvo principal e provavelmente não serão afetados. Segundo ele, o foco do Irã parece estar em retaliações pontuais e não em comprometer sua própria economia.
Robert Yawger, diretor da Mizuho Securities, acrescenta que o Irã depende das exportações para seus principais clientes, Índia e China, e fechar o Estreito de Ormuz seria prejudicial para o próprio país. “Seria um tiro no próprio pé”, afirmou em entrevista a CNN.
Investidores céticos
A retração nos preços também reflete o ceticismo dos investidores quanto à capacidade do Irã de promover ações militares com efeitos duradouros sobre o fornecimento de petróleo. Bruno Cordeiro, analista da StoneX, observou a CNN que ao longo do dia, a gente viu um recuo significativo dos ganhos, até que o petróleo passou a operar em território negativo.
De acordo com Cordeiro, há uma leitura predominante no mercado de que o Irã não tem força militar nem política para implementar medidas como o fechamento do Estreito de Ormuz, e qualquer tentativa nesse sentido comprometeria ainda mais sua frágil economia.
“Até o momento, os investidores acreditam que o Irã não consiga promover uma movimentação desse tipo, militarmente falando”, disse.
Contexto geopolítico e reflexo nos mercados
O ataque iraniano ocorreu após os Estados Unidos lançarem mísseis contra instalações nucleares no Irã, em um movimento que reacendeu temores de conflito no Oriente Médio. No entanto, a falta de vítimas e os alvos restritos reduziram a percepção de escalada militar mais ampla.
Para os mercados, a ausência de danos a infraestruturas críticas permitiu que os investidores voltassem ao racional econômico, analisando riscos reais e não apenas possíveis cenários hipotéticos. Com isso, a alta inicial no preço do petróleo, motivada pelo temor, deu lugar à realização de lucros e vendas generalizadas.
O que esperar daqui pra frente?
Mesmo com a tensão geopolítica entre Irã e EUA, os preços do petróleo seguem sendo influenciados por fatores como estoques globais, decisões da Opep+ e crescimento econômico mundial. O recuo recente, portanto, reflete mais um ajuste técnico e uma leitura de curto prazo, do que uma tendência definitiva.
O mercado continuará monitorando atentamente qualquer movimentação no Estreito de Ormuz e os desdobramentos dos confrontos na região. Porém, enquanto não houver sinal concreto de que a oferta global será interrompida, os preços tendem a oscilar de acordo com os fundamentos do mercado.


