O bitcoin voltou a movimentar os mercados nesta quinta-feira, 10 de julho, ao ultrapassar a marca de US$ 113.000 pela primeira vez na história. A criptomoeda, considerada o “ouro digital” por investidores, foi cotada a US$ 113.480, com alta de 3,59% no dia, segundo dados da Binance, a maior corretora de criptoativos do mundo. Na cotação do dia, com o dólar comercial a R$ 5,50, isso representa cerca de R$ 624 mil por unidade de bitcoin, um novo pico histórico em reais.
A alta acontece em um momento de otimismo nos mercados globais, puxado principalmente pelo desempenho das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, como Nvidia, que registrou novas máximas e ajudou a impulsionar ativos de maior risco, como criptomoedas.
Além disso, o bitcoin se beneficiou de entradas em ETFs (fundos de índice) de criptoativos, melhora na liquidez global e maior tolerância dos investidores ao risco, apesar das incertezas com a política fiscal dos EUA e com as tarifas comerciais impostas recentemente pelo governo Trump, que chegaram a 50% sobre produtos brasileiros.
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Alta do bitcoin segue movimento global de tecnologia
O desempenho do bitcoin nos últimos dias acompanha o movimento de ações de crescimento e tecnologia. A Nvidia, por exemplo, chegou a ultrapassar brevemente a Apple em valor de mercado em junho e continua a liderar os ganhos do setor em julho. Esse otimismo respingou também sobre o ethereum, segunda maior criptomoeda, que subiu 3,50%, para US$ 6.242, ou cerca de R$ 34.331 na mesma sessão.
Investidores costumam buscar ativos como o bitcoin em momentos de baixa nos juros reais ou de valorização de papéis de tecnologia. Com a expectativa de manutenção das taxas de juros nos EUA e a inflação dando sinais de moderação, o cenário tende a favorecer os criptoativos.
Realização de lucros e volatilidade pontual
Apesar do recorde, o bitcoin apresentou forte volatilidade intradiária, tendo caído brevemente logo após ultrapassar os US$ 112 mil. Analistas explicam que esse movimento provavelmente foi resultado de realização de lucros por parte de traders de curto prazo, o que é comum quando um ativo atinge novas máximas.
“O ambiente de risco global está favorável, mas ainda há cautela”, avalia David Morrison, analista da Trade Nation. “Embora o bitcoin tenha superado uma resistência importante, o rompimento ainda não foi claro o suficiente para confirmar uma nova tendência de alta mais sustentável”.
A análise técnica indica que o nível de US$ 112 mil era considerado um ponto de resistência, e a superação desse patamar pode abrir espaço para avanços rumo a níveis entre US$ 115 mil e US$ 120 mil, caso o impulso comprador se mantenha.
ETFs impulsionam demanda por bitcoin
Um dos fatores mais relevantes por trás do rali recente do bitcoin é o avanço de fundos de índice (ETFs) focados em criptomoedas. Desde a aprovação dos primeiros ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, o mercado vem observando um aumento constante nos fluxos de entrada desses fundos.
Segundo dados da CoinShares, apenas na última semana, os ETFs globais de bitcoin registraram entradas líquidas de US$ 1,2 bilhão, com destaque para o fundo da BlackRock, que liderou os aportes.
A maior facilidade de acesso ao criptoativo por meio de instrumentos regulados como ETFs tem atraído investidores institucionais, que antes evitavam o mercado por questões de segurança ou compliance. Com isso, a demanda por bitcoin aumentou, especialmente em momentos de instabilidade política e fiscal, como o atual, marcado pelas tensões entre EUA, Brasil e China.
Bitcoin como proteção ou especulação?
Apesar do desempenho impressionante, especialistas alertam que o bitcoin continua sendo um ativo altamente volátil e ainda não se consolidou como reserva de valor de longo prazo. Para Henrique Teixeira, especialista em criptoativos da Empiricus Research, o papel do bitcoin na carteira do investidor deve ser limitado.
“O bitcoin serve mais como instrumento de diversificação e aposta em disrupção tecnológica. Mas não dá para tratá-lo como substituto do dólar ou do ouro em qualquer cenário. Ele é sensível a fluxo e narrativa, e por isso, oscila muito”, afirma Teixeira.
Ainda assim, ele reconhece que, com a valorização de mais de 50% em 2025, a criptomoeda voltou a ocupar espaço no portfólio de muitos investidores.
Riscos e próximos passos
Entre os riscos para a continuidade da alta do bitcoin estão a possibilidade de regulação mais rigorosa nos Estados Unidos, a volatilidade dos juros americanos e o comportamento da economia global diante das tarifas comerciais impostas por Donald Trump. Um eventual fortalecimento do dólar também pode reduzir o apetite por ativos alternativos como o bitcoin.
O FOMC, comitê de política monetária do Federal Reserve, se reúne no final de julho e poderá sinalizar novos rumos para os juros nos EUA. Qualquer sinal de endurecimento pode impactar negativamente o mercado de criptoativos.
Ainda assim, no curto prazo, a tendência continua positiva, com os principais suportes técnicos entre US$ 108 mil e US$ 110 mil, e resistências próximas a US$ 115 mil. Se o ritmo atual de fluxo continuar, analistas não descartam um teste da região de US$ 120 mil (R$ 660 mil) ainda neste trimestre.
Com o avanço da adoção institucional e o cenário macroeconômico favorável, o bitcoin segue seu caminho como o ativo digital mais valioso do mundo, em uma trajetória que alia inovação, risco e especulação.


