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Dólar futuro dispara após mínima do ano com tarifa dos EUA

O dólar futuro, contrato negociado na B3 que reflete as expectativas para a cotação da moeda americana em datas futuras, vinha em trajetória de queda ao longo de 2025. Até o início de julho, acumulava desvalorização de 12,99% no ano, influenciado pela redução da inflação nos Estados Unidos, sinais de corte de juros pelo Federal Reserve e um ambiente de juros mais estável no Brasil. No entanto, a dinâmica começou a mudar nos últimos dias após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, que reacenderam o alerta no mercado.

O contrato chegou à mínima anual de 5.437,5 pontos na semana passada, o que corresponde, na prática, a uma expectativa de dólar próximo a R$ 5,43. Porém, a sessão mais recente registrou alta de 2,28%, levando o ativo a 5.608,5 pontos (equivalente a R$ 5,60). O movimento reverteu temporariamente a tendência de baixa e reacendeu a possibilidade de uma retomada de alta no curto prazo.

Investidores devem manter atenção ao noticiário internacional e às sinalizações do Federal Reserve, que ainda podem influenciar a curva de juros americana e, consequentemente, a cotação do dólar frente ao real.
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Investidores devem manter atenção ao noticiário internacional e às sinalizações do Federal Reserve, que ainda podem influenciar a curva de juros americana e, consequentemente, a cotação do dólar frente ao real | Foto: Reprodução/Canva

Tarifas de Trump e ambiente externo mudam o jogo

A mudança de cenário ocorreu após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar, no dia 9 de julho, uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros, a maior entre os 22 países notificados pelos EUA até o momento. A decisão provocou queda no Ibovespa, alta do dólar à vista e uma reprecificação nos contratos futuros.

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Segundo dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, em 2024 o país registrou superávit de US$ 7,4 bilhões na balança de bens com o Brasil, equivalente a R$ 40,7 bilhões com base na cotação média de R$ 5,50. Ou seja, mesmo com saldo positivo, os EUA optaram por aumentar a barreira tarifária, gerando instabilidade nos mercados.

O impacto imediato foi sentido no mercado cambial, com o contrato futuro ensaiando uma reversão após meses de queda. Embora o cenário de longo prazo ainda seja incerto, analistas já projetam zonas de resistência e suporte que podem determinar os próximos passos da moeda americana.

Análise técnica: pontos de atenção para o curto prazo

No gráfico diário, a reação do dólar futuro ao romper as médias móveis e subir com força na última sessão pode ser o início de uma recuperação técnica. Para isso, será necessário que o contrato ultrapasse de forma consistente a faixa de 5.638 a 5.714 pontos. Caso esse movimento se confirme, os próximos alvos técnicos estão entre 5.874 e 5.952 pontos, com possibilidade de avanço até 6.109 pontos e, em caso de tendência mais forte, até 6.400 pontos.

Por outro lado, se o dólar perder novamente força e cair abaixo da região dos 5.539 a 5.496 pontos, a pressão vendedora pode voltar. Os suportes seguintes a serem monitorados incluem 5.437,5 pontos (mínima do ano), 5.369 pontos e até 5.243 pontos, sinalizando a retomada da tendência de queda.

Visão de médio prazo ainda é de baixa, mas com ressalvas

No gráfico semanal, a leitura de médio prazo segue indicando predominância da pressão vendedora. Desde o pico de 6.605 pontos em dezembro de 2024, o contrato futuro do dólar perdeu força gradativamente. A mínima recente de 5.437,5 pontos se tornou um suporte importante. Se este nível for rompido, analistas projetam queda até 5.310 pontos ou mesmo 5.095 pontos, podendo estender até 5.000 pontos.

Por outro lado, se a região de resistência entre 5.635 e 5.795 pontos for superada, há chance de retomada de fôlego comprador. Neste cenário, o dólar futuro poderia buscar níveis entre 5.937 e 6.245 pontos, com possibilidade de retorno à máxima anual.

Repercussões no câmbio à vista

O movimento nos contratos futuros também afeta o dólar comercial à vista, que encerrou o último pregão com alta de 1,06%, cotado a R$ 5,50, segundo dados da B3. O câmbio é diretamente influenciado pelas expectativas futuras, especialmente em momentos de instabilidade política e comercial.

Além disso, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), que replica empresas brasileiras listadas na bolsa de Nova York, caiu 1,81%, negociado a US$ 27,65, cerca de R$ 152,07, sinalizando aversão ao risco por parte de investidores estrangeiros.

O que esperar daqui para frente referente ao dólar

Embora o viés de baixa ainda domine o gráfico semanal, o recente repique provocado pelas tarifas dos EUA abre espaço para uma consolidação ou retomada da alta no curto prazo. A definição dos próximos movimentos dependerá do comportamento técnico nas faixas de suporte e resistência e de eventuais novos desdobramentos nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Investidores devem manter atenção ao noticiário internacional e às sinalizações do Federal Reserve, que ainda podem influenciar a curva de juros americana e, consequentemente, a cotação do dólar frente ao real. Ao mesmo tempo, a política fiscal brasileira e o posicionamento do Banco Central também seguem como fatores relevantes para o comportamento da moeda.

Para quem opera no mercado de câmbio, o momento exige cautela redobrada e leitura técnica constante. E para quem acompanha como espectador, a oscilação do dólar continua sendo um termômetro valioso das tensões que se desenrolam no cenário global.

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