Gastar dinheiro com futebol faz parte da vida de 81% dos torcedores brasileiros, segundo pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, apresentada no dia 7 de julho na Mercado Livre Arena Pacaembu. O estudo ouviu 2.940 pessoas de todas as classes sociais e revelou hábitos que vão além do amor ao time: afetam o bolso e a forma de consumir.
Quanto gastam e com o quê?
A maioria, 45% dos entrevistados, gasta até R$ 100 por mês com futebol. Já 9% investem mais de R$ 300 por mês. O mais comum é comprar camisas oficiais, 71% dos fãs admitem estar dispostos a pagar por elas. Em abril de 2024, os preços variavam entre R$ 209 e R$ 370, de acordo com dados do UOL.

Outros gastos:
- Produtos licenciados (35%)
- Ingressos (34%)
- Streaming e pay-per-view (32%)
- Sócio-torcedor (15%) — 47% mostram interesse, embora 12% já tenham desistido.
O COO da Opinion Box, Felipe Schepers, ressalta que o sócio-torcedor já tornou-se parte do orçamento mensal das famílias e representa um desafio para clubes que precisam tornar esse formato mais acessível.
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Perfil dos torcedores que gastam
A pesquisa mostrou que 79% dos homens e 68% das mulheres acompanham futebol. O grupo entre 40 a 49 anos tem maior engajamento: 78%. O hábito de acompanhar a modalidade é similar entre as classes: 75% na alta, 77% na média e 71% na baixa renda.
Esse comportamento revela que, mesmo com orçamentos distintos, o futebol permeia diferentes segmentos da sociedade brasileira.
Quanto investem em experiências e planejamento
Planejamento financeiro para eventos esportivos também aparece. Sessenta e um por cento dizem que iriam com mais frequência se os ingressos fossem mais baratos, e o mesmo percentual considera os jogos pouco acessíveis. Ainda assim, 32% investiriam mais por uma experiência exclusiva com o time.
Trinta e um por cento estão dispostos a viajar para qualquer lugar do mundo para assistir ao time. Sessenta e dois por cento já assistiram a pelo menos uma partida profissional, e 65% planejam ir a algum jogo nos próximos dois anos. Entre esses, 53% estão se planejando financeiramente, 25% querem gastar entre R$ 1.001 e R$ 5.000 com futebol.
E os ingressos caros de futebol são uma barreira
Os ingressos ainda pesam no orçamento. Um exemplo real: o Palmeiras arrecadou R$ 2,8 milhões vendendo pouco mais de 30 mil ingressos em sua estreia; o ticket médio ficou em R$ 92. No Vasco, o ticket médio foi R$ 74, com renda de R$ 1,4 milhão.
Mesmo assim, 64% dos entrevistados afirmam que se sentem parte da torcida mesmo assistindo pelos meios digitais. A TV aberta continua líder (75%), seguida pela TV fechada (55%), YouTube (42%) e streaming (31%).
Por que isso importa para as finanças?
O estudo reforça que o futebol deixou de ser apenas lazer. Já está no topo dos gastos mensais de muitas famílias, similar aos gastos com cultura e lazer. Como Schepers destaca, “o futebol entrou no bolso do brasileiro, é um gasto que faz parte da cesta do público”.
Esse comportamento chama atenção porque muitas pessoas precisam escolher entre pagar contas essenciais ou manter o hábito de acompanhar o time. A Serasa alerta que falta de reserva para acidentes e gastos inesperados é uma das principais preocupações financeiras em 2025. Gastar todo mês com futebol, sem planejamento, pode agravar situações de inadimplência.
Dicas para equilibrar paixão e orçamento
- Defina um limite mensal, por exemplo, até R$ 100 por mês, que é o gasto mais comum entre torcedores.
- Priorize gastos: camisas novas têm preço médio entre R$ 209 e R$ 370, avalie quantas peças realmente valem o investimento.
- Planeje viagens e ingressos: 53% já se organizam financeiramente para ir a jogos. Estabeleça um orçamento anual para isso.
- Avalie streaming: com 32% assistindo por pay-per-view, avalie se vale assinar várias plataformas ou optar por canais gratuitos ou abertos.
- Use cartão e parcelamento com consciência: evite assumir gastos que pesem no próximo mês, como alertado pela pesquisa de shows, onde 59% usam parcelamento sem juros.
O futebol é parte central da vida de milhões de brasileiros e move uma grande fatia do orçamento familiar. Gastar com camisas, ingressos ou streaming não é errado, mas exige organização. Com base na pesquisa da Serasa e Opinion Box, entendemos que 81% dos fãs gastam mensalmente, muitos destinam valores significativos e 53% se planejam financeiramente.
A paixão pelo futebol pode e deve coexistir com hábitos financeiros saudáveis. Isso significa divertir-se, torcer, vibrar e, ao mesmo tempo, manter o orçamento em dia.
*Entrevistas concedidas ao Meio&Mensagem


