O número de brasileiros que vivem de aluguel aumentou 45,4% nos últimos oito anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 22 de agosto, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2016, 18,4% da população morava em imóveis alugados, o equivalente a 12,3 milhões de domicílios. Já em 2024, esse percentual passou para 23%, representando 17,8 milhões de domicílios. O crescimento aconteceu de forma disseminada em todas as regiões do país, o que, segundo os analistas do IBGE, indica que não se trata de um fenômeno isolado ou regional.

Queda no número de casas próprias
Em 2016, 73% da população ocupava imóveis próprios, quitados ou financiados. Em 2024, essa proporção caiu para 67,6%, uma redução de 5,2 pontos percentuais.
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A tendência preocupa porque impacta diretamente no custo de vida das famílias. O aluguel é uma das principais despesas mensais e tem peso considerável no orçamento doméstico. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, a variação do grupo habitação foi de 6,14% em 2023, acima da inflação acumulada no mesmo ano, que foi de 4,62%, conforme dados do IBGE.
Diferenças regionais mostram o que sobre o aluguel?
Os Estados do Sudeste concentram as maiores proporções de domicílios alugados, de acordo com os dados levantados pelo IBGE. Isso ocorre em regiões de maior renda, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Esse movimento indica que morar de aluguel não está, necessariamente, associado a vulnerabilidade social.
Além disso, o avanço da prática é considerado um reflexo de mudanças culturais. A popularização de plataformas de aluguel de curta duração, como o Airbnb, é citada por pesquisadores como uma possível influência para a expansão do mercado de locação.
Mais pessoas vivendo sozinhas
Outro dado apontado pela PNAD Contínua é o crescimento das chamadas unidades domésticas unipessoais, compostas por apenas um morador. Em 2024, 18,6% dos domicílios brasileiros estavam nessa condição, contra 12,2% em 2012.
Segundo William Kratochwill, pesquisador do IBGE que apresentou os resultados, o aumento está ligado principalmente ao envelhecimento populacional. Muitas dessas pessoas têm mais de 60 anos, estão viúvas ou vivem sozinhas após a saída dos filhos de casa.
Estados com maior proporção de idosos, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, concentram também maior percentual de lares unipessoais. Mas fatores comportamentais também pesam. O instituto destaca que mudanças sociais e a independência crescente das mulheres contribuem para o aumento de pessoas que optam por viver sozinhas.
Efeitos no mercado imobiliário
O crescimento do número de famílias que vivem de aluguel tem implicações para o mercado imobiliário brasileiro. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado em julho de 2024, os valores dos aluguéis residenciais subiram 9,5% em média no acumulado de 12 meses até junho, quase o dobro da inflação no período.
Esse movimento pressiona especialmente famílias de baixa e média renda, que destinam grande parte dos rendimentos ao pagamento do aluguel. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2018, a mais recente disponível, mostram que famílias com renda até dois salários mínimos gastavam, em média, 30% da renda com habitação. Com a alta dos aluguéis nos últimos anos, esse percentual tende a ser ainda maior.
Tendência a longo prazo
Pesquisadores do IBGE afirmam que o avanço do aluguel é uma tendência nacional desde 2010 e que não pode ser explicado apenas por fatores conjunturais, como oscilações econômicas ou políticas habitacionais específicas. A avaliação é de que as transformações sociais, o envelhecimento da população e a mudança nos arranjos familiares estão entre os principais elementos que sustentam essa alteração no perfil de moradia do país.


