O consórcio de imóveis é uma modalidade de compra baseada na união de pessoas em grupos organizados por administradoras autorizadas pelo Banco Central. Cada integrante contribui mensalmente com uma parcela e, em determinados momentos, ocorre a contemplação de um ou mais participantes por meio de sorteio, ou lance. O contemplado recebe uma carta de crédito que pode ser usada para comprar um imóvel residencial, comercial, novo ou usado, ou ainda para quitar financiamentos já existentes.

Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), em junho de 2024 o setor contabilizava 10,6 milhões de participantes ativos em todas as modalidades, um recorde histórico. Apenas no segmento de imóveis, havia 1,55 milhão de consorciados, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2023.
Crescimento do consórcio no setor imobiliário
De acordo com a ABAC, no acumulado de janeiro a junho de 2024 foram vendidas 220,6 mil novas cotas de consórcio de imóveis, volume 13,7% superior ao registrado no mesmo período de 2023. O total de créditos comercializados somou R$ 53,9 bilhões no semestre, alta de 28% em relação ao ano anterior.
Esse desempenho mostra que o consórcio tem se consolidado como uma opção relevante para brasileiros que planejam adquirir a casa própria ou investir em imóveis. Ainda segundo a entidade, em 2023 os consórcios imobiliários representaram 23% do total de créditos comercializados em todas as modalidades do sistema.
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Vantagens apontadas pelos participantes
Uma das principais razões para o crescimento do consórcio é o fato de não haver cobrança de juros. Diferente do financiamento imobiliário, no qual os juros incidem sobre o saldo devedor e podem elevar significativamente o custo final, no consórcio o participante paga apenas a taxa de administração e, em alguns casos, fundo de reserva.
Segundo a ABAC, enquanto um financiamento imobiliário de R$ 300 mil com prazo de 30 anos pode levar o comprador a desembolsar mais de R$ 700 mil em parcelas, considerando a taxa média de juros de 10,4% ao ano em 2024 (dados do Banco Central), no consórcio o valor pago gira em torno do crédito contratado somado às taxas administrativas, que costumam variar entre 15% e 20% do valor total do crédito.
Além disso, o consórcio pode ser considerado como uma forma de disciplina financeira, já que exige contribuições mensais e planejamento de longo prazo.
Perfil dos consorciados
O perfil de quem opta pelo consórcio de imóveis é variado. Muitos utilizam a modalidade como alternativa de investimento, aproveitando a possibilidade de usar a carta de crédito como poder de compra à vista. Outros preferem essa opção como uma forma de planejamento para aquisição da primeira casa.
Levantamento da ABAC mostra que 56% dos consorciados de imóveis têm idade entre 30 e 49 anos, faixa etária em que há maior demanda pela compra da casa própria. Cerca de 40% dos créditos contemplados em 2023 foram utilizados para aquisição de imóveis residenciais usados, o que indica que o consórcio atende não apenas ao mercado de imóveis novos, mas também às negociações de segunda mão.
Comparação com outras modalidades
O financiamento imobiliário continua sendo o principal meio de compra de imóveis no Brasil, mas o consórcio vem ganhando espaço gradativamente. Dados do Banco Central indicam que o saldo da carteira de crédito imobiliário no país era de R$ 1,1 trilhão em junho de 2024. Ainda assim, o ritmo de adesão aos consórcios cresce em velocidade maior do que o observado no crédito tradicional.
Segundo a ABAC, entre 2019 e 2023, o número de participantes ativos em consórcios de imóveis aumentou 29,4%, enquanto no mesmo período o saldo do crédito imobiliário cresceu 19,7%.
Fatores que explicam a expansão
Especialistas em consórcio destacam alguns fatores que impulsionam a popularização do consórcio. O cenário de juros elevados nos últimos anos tornou o financiamento menos atrativo para famílias de renda média. A taxa Selic esteve em 13,75% ao ano durante boa parte de 2023 e se manteve em patamares altos em 2024, chegando a 15% em 2025, o que encareceu as linhas de crédito imobiliário.
Outro elemento relevante é a flexibilização do uso da carta de crédito. Além da compra de imóveis, ela pode ser aplicada na construção, reforma ou até na quitação de financiamentos. Essa versatilidade amplia o público interessado.
Perspectivas para os próximos anos
O setor de consórcios imobiliários deve seguir em expansão, de acordo com projeções da ABAC. A entidade estima que o total de créditos comercializados em 2025 possa superar R$ 120 bilhões, caso o ritmo de crescimento observado em 2024 seja mantido. O Banco Central reforça que todas as administradoras precisam ser autorizadas e fiscalizadas, garantindo segurança aos participantes.