O empréstimo com garantia de veículo, também conhecido como Auto Equity, registrou forte expansão no primeiro semestre de 2025. De acordo com dados da Creditas, plataforma digital de soluções financeiras, a procura pela modalidade aumentou 33,6% em comparação ao mesmo período de 2024.
O movimento reflete a busca dos brasileiros por alternativas de crédito em meio a um cenário de juros elevados. A taxa básica de juros (Selic), atualmente em 10,25% ao ano (Banco Central do Brasil, agosto de 2025), ainda mantém elevado o custo de financiamentos tradicionais, incentivando consumidores a recorrerem a modalidades mais acessíveis.
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Perfil dos tomadores de crédito
Segundo a Creditas, os empreendedores e profissionais autônomos foram os principais responsáveis pelo avanço da modalidade, registrando um crescimento de 37% na procura. Já os trabalhadores com carteira assinada (CLT) também ampliaram a demanda, com alta de 31% no período.
A pesquisa aponta ainda que o pagamento de dívidas se mantém como a principal motivação para a contratação do Auto Equity, correspondendo a 27% das operações realizadas, após um salto de 40% em relação ao primeiro semestre de 2024.
Além da quitação de dívidas, a modalidade também tem sido utilizada em finalidades mais estratégicas. Os investimentos em negócios próprios cresceram 14%, enquanto o uso do crédito para reformas de imóveis avançou 28% no período analisado.
Como funciona o empréstimo com garantia de veículo?
O Auto Equity permite que o consumidor use um veículo quitado como garantia para obter crédito. O automóvel continua em posse do proprietário, mas fica alienado até o término do contrato.
De acordo com levantamento da Associação Nacional das Empresas de Financeiras das Montadoras (Anef), em 2025 a inadimplência média em financiamentos de veículos está em 4,3%, percentual inferior à média de outras linhas de crédito pessoal, que supera 5,5% no país. Essa característica ajuda a explicar por que as instituições conseguem oferecer taxas de juros mais baixas e prazos mais longos nessa modalidade.
Na Creditas, por exemplo, as taxas médias do Auto Equity partem de 1,49% ao mês, segundo dados divulgados pela própria empresa. Para comparação, a taxa média do crédito pessoal não consignado registrada pelo Banco Central em junho de 2025 foi de 6,22% ao mês, o equivalente a 103,6% ao ano.
Juros altos e busca por alternativas
O ambiente de crédito no Brasil ainda é desafiador. Conforme levantamento da Serasa Experian, 70,5% da renda dos brasileiros está comprometida com contas mensais. Nesse cenário, cresce a procura por modalidades que permitam reorganizar o orçamento com custos menores.
Para Fabio Zveibil, vice-presidente de empréstimo com garantia da Creditas, os números mostram maior conscientização financeira dos consumidores. “A modalidade se consolida por oferecer condições mais vantajosas, como taxas mais baixas, prazos maiores e contratação digital. Também observamos uma maior maturidade por parte dos consumidores, que têm usado o crédito não apenas para reorganizar as finanças, mas também como instrumento para geração de renda e fortalecimento de seus negócios”, afirma o executivo.
Impactos na reorganização financeira
A consolidação do Auto Equity como alternativa de crédito reflete mudanças no comportamento financeiro da população. Com menos espaço no orçamento para despesas discricionárias, trabalhadores e empreendedores têm buscado formas de reduzir os custos com dívidas.
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 47,3% da renda acumulada em 12 meses em junho de 2025. Desse total, 28% estão comprometidos com crédito consignado, imobiliário e linhas com garantia, modalidades que apresentam taxas menores do que o crédito pessoal e o rotativo do cartão.
Nesse contexto, a utilização do empréstimo com garantia de veículo se insere como uma estratégia de equilíbrio financeiro, ao substituir dívidas mais caras por opções de menor custo e maior prazo de pagamento.
Contexto setorial e perspectivas
O avanço do Auto Equity também acompanha uma tendência global de crescimento das linhas de crédito com garantia. Nos Estados Unidos, por exemplo, o home equity (empréstimo com garantia de imóvel) movimentou cerca de US$ 149 bilhões no primeiro trimestre de 2025 (Federal Reserve). Em valores aproximados, isso equivale a R$ 805 bilhões, considerando a cotação média de R$ 5,40 em agosto de 2025.
No Brasil, apesar de ainda representar uma fatia menor do mercado de crédito, a modalidade tem crescido. Segundo a Creditas, a expectativa é de que o segmento siga em expansão, acompanhando a digitalização dos serviços financeiros e a busca dos consumidores por soluções de crédito mais sustentáveis.


