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Queda nas exportações para EUA não reduz preço da carne

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A imposição de uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira pelos Estados Unidos, segundo maior mercado externo do produto, levantou dúvidas entre consumidores sobre os impactos nos preços praticados no Brasil.

A expectativa de que o aumento das barreiras comerciais geraria maior oferta interna e queda de preços, no entanto, não deve se confirmar. Segundo analistas, o cenário previsto aponta justamente para uma diminuição na oferta de carne e tendência de alta nos preços.

Queda nas exportações para os EUA não deve baratear a carne no Brasil; especialistas apontam redução na oferta como fator principal | Foto: Reprodução/Canva
Queda nas exportações para os EUA não deve baratear a carne no Brasil; especialistas apontam redução na oferta como fator principal | Foto: Reprodução/Canva

Redução na oferta pressiona preços

Mesmo antes da criação da tarifa, a indústria pecuária brasileira já se preparava para reduzir o número de abates no segundo semestre de 2025. A decisão tem relação com o chamado ciclo pecuário. Nesse contexto, produtores optam por manter mais fêmeas no pasto para fins reprodutivos, o que reduz o número de animais disponíveis para o abate e, consequentemente, para o mercado.

“A indústria já previa menos abates para priorizar a reprodução de fêmeas, e o tarifaço só reforça esse movimento”, explica Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.

Além disso, há relatos de queda no número de animais enviados para confinamento, etapa final antes do abate. Com menos bois engordando, a expectativa é de redução de oferta nos próximos meses. “Nós vamos ver o boi cair e, lá na frente, ver a carne subir mais ainda”, afirma Alves.

Impacto imediato pode ser limitado

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a carne bovina teve queda de 0,35% em junho de 2025 em relação a maio. No entanto, no acumulado de 12 meses, houve alta de 23,63%. Analistas avaliam que, a curto prazo, o redirecionamento da carne que seria exportada pode gerar leve alívio nos preços, mas de forma temporária.

Wagner Yanaguizawa, especialista em proteína animal do banco Rabobank, acredita que o impacto será curto. “O tarifaço pode provocar uma redução pontual, mas com o ciclo de retenção de fêmeas, a tendência é de preços mais altos”, avalia.

Diferença de consumo interno e externo

Mesmo com a relevância dos EUA para as exportações brasileiras, apenas 20% da carne produzida no país é enviada ao exterior. O restante é consumido internamente. Ainda assim, os cortes preferidos nos Estados Unidos diferem dos consumidos no Brasil.

Segundo Cesar Alves, os americanos priorizam a parte dianteira do boi, usada principalmente na produção de hambúrgueres. Já os brasileiros preferem cortes traseiros, como picanha e alcatra.

Essa diferença dificulta a substituição direta de mercados e, ao mesmo tempo, impede que a carne originalmente destinada aos EUA reduza significativamente os preços dos cortes mais consumidos no país.

Busca por novos mercados

Diante do novo cenário, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já confirmou a suspensão da produção destinada aos EUA. O setor avalia alternativas para redirecionar os embarques.

Roberto Perosa, presidente da Abiec, afirmou que os frigoríficos interromperam os envios ao mercado americano e estão buscando novos destinos. “Estamos analisando oportunidades em países do Oriente Médio e da África”, disse.

Leia também: Países pedem mudança da COP30 por preços altos em Belém

Um dos destinos citados por especialistas é o Egito, cuja demanda por carne brasileira tem crescido. Yanaguizawa acredita que a substituição dos EUA, embora desafiadora, pode ser viável em médio prazo, com a reestruturação de acordos e cadeias logísticas.

Produção global também está em queda

A tendência de redução de oferta não é exclusiva do Brasil. Os Estados Unidos devem diminuir sua produção de carne bovina em 2,3% em 2025, e em 4,1% em 2026, conforme projeções do Itaú BBA. Já a Austrália, outro grande player no setor, prevê queda de 3% na produção e de 8% nas exportações, segundo o Departamento de Agricultura australiano (Abares).

Essa conjuntura pode favorecer o Brasil na busca por novos mercados, já que seus principais concorrentes também enfrentarão dificuldades para atender à demanda global.

Mesmo com o tarifaço, a conjuntura interna e externa aponta para um cenário de menor oferta, sem espaço significativo para redução de preços no mercado brasileiro.

*Entrevistas concedidas ao G1.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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