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Metade dos brasileiros busca renda extra para fechar o mês

Apesar da baixa taxa de desemprego, a vida financeira do brasileiro continua longe de ser tranquila e força as pessoas a buscarem uma renda extra. Segundo levantamento divulgado na última quarta-feira, 20 de agosto, pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, 49% dos trabalhadores precisam complementar a renda para equilibrar o orçamento, sejam eles profissionais com emprego formal (CLT) ou pessoa jurídica (PJ).

Realizada entre maio e junho de 2025, a pesquisa entrevistou 1.029 pessoas de todas as regiões do país, contemplando trabalhadores CLT e PJ de empresas públicas e privadas. A média de idade dos participantes foi de 41 anos, com equilíbrio entre homens e mulheres.

Trabalhador brasileiro enfrenta desafios para equilibrar o orçamento e buscam renda extra
O estudo mostra ainda que 54% dos trabalhadores não conseguem terminar o mês com dinheiro na conta | Foto: Reprodução / Canva

Apesar de elevado, o número representa melhora em relação a 2024, quando 62% dos entrevistados estavam nessa situação. Já os 46% que conseguem manter parte do salário disponível no fim do mês sinalizam um avanço de oito pontos percentuais nos últimos doze meses.

A falta de organização financeira não traz apenas impactos no bolso. O levantamento revelou que 66% dos participantes sofrem com estresse em função das dívidas, 43% se sentem mais irritados e 39% afirmam enfrentar dificuldades para dormir. Esses dados reforçam como os problemas de dinheiro transbordam para a saúde mental, influenciando diretamente o bem-estar, a produtividade e até mesmo as relações interpessoais.

Para lidar com as contas, muitos recorrem a bicos, renda extra, trabalhos freelancer, venda de produtos, além de empréstimos bancários ou ajuda de familiares. Ainda assim, apenas 20% dos entrevistados declararam ter total controle sobre as próprias finanças. Outro dado preocupante é que somente um em cada quatro trabalhadores teria condições de lidar com despesas inesperadas em casos de emergência.

Esse cenário de baixa preparação financeira levou muitos brasileiros ao vermelho. Conforme o levantamento, 33% dos entrevistados ficaram negativados nos últimos 12 meses e 66% relataram ter enfrentado dificuldades financeiras nos últimos cinco anos.

Gastos básicos consomem o orçamento

As despesas mais pesadas são as essenciais: aluguel, alimentação, gás, energia elétrica e água. Em seguida aparecem financiamento, dívidas de empréstimos, consumo de bens e gastos com educação.

Além disso, o avanço dos preços em determinados serviços tem pressionado ainda mais o bolso do trabalhador. Nos últimos 12 meses até junho, os aumentos de manicure (7,69%), corte de cabelo (7,29%) e serviços médicos e odontológicos (7,41%) superaram a inflação geral acumulada no período, que foi de 5,35%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Alguns serviços, porém, dispararam de forma ainda mais intensa. O transporte por aplicativo ficou 44,49% mais caro, seguido pelo aluguel de veículos (16,13%), conserto de automóveis (10,15%) e seguro voluntário de veículo (9,21%), segundo os dados do IBGE.

Geração Z encontra mais dificuldades de renda

O descontrole é mais visível entre trabalhadores PJ, profissionais de pequenas empresas, a classe C e jovens da Geração Z. Esse último grupo costuma acumular fragilidades: além de pertencer majoritariamente à classe C, boa parte atua no regime de pessoa jurídica, sem a estabilidade da carteira assinada.

Outro estudo, realizado pelo Ally Bank nos Estados Unidos, reforça esse comportamento. A pesquisa indica que quase 60% dos jovens das gerações millennial e Z enfrentam dificuldades para alcançar metas financeiras, e parte disso está relacionada ao estilo de vida. Só com lazer e encontros sociais, os gastos mensais chegam, em média, a R$ 1.384 — valor que pesa de maneira significativa no orçamento desses jovens adultos.

Diante desse panorama, fica evidente que a busca por estabilidade financeira continua sendo um desafio para grande parte da população brasileira, especialmente entre os mais jovens e os trabalhadores informais. A combinação entre altos custos de vida, falta de planejamento e instabilidade profissional cria um cenário de vulnerabilidade que exige atenção e políticas voltadas à educação financeira, ao fortalecimento da renda e ao acesso a serviços básicos

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