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Pix Parcelado pode virar realidade com novas regras do Banco Central

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O Banco Central deve anunciar até o fim deste mês a regulamentação do Pix Parcelado. A medida vai definir regras mais claras para o funcionamento dessa modalidade, que já é oferecida por alguns bancos e financeiras, mas ainda sem padronização. A ideia é aumentar a transparência e dar mais segurança para os consumidores.

Pix parcelado terá padronização
O Pix já se tornou parte do dia a dia dos brasileiros. Só no segundo trimestre de 2025, foram 19,3 bilhões de pagamentos feitos dessa forma | Foto: Reprodução/ Canva

O número de pagamentos é bem maior do que o de transações com cartões, que somaram 12,6 bilhões, e muito superior aos pagamentos por boleto, convênio e débito direto, que ficaram em 4,4 bilhões. Agora, com o parcelamento, a expectativa é que ele seja usado também em compras de maior valor, ajudando o comércio e facilitando a vida do consumidor.

Como funciona o Pix Parcelado?

Diferente do Pix comum, que é gratuito e feito na hora, o Pix Parcelado é uma forma de crédito. Isso significa que, na prática, a pessoa estará contratando um empréstimo para pagar sua compra em parcelas. O vendedor recebe o valor cheio na hora, mas o cliente assume o compromisso de pagar em prestações para o banco.

Hoje, cada instituição financeira define suas próprias condições. Os bancos podem cobrar juros, criar taxas e estabelecer regras de pagamento. Por isso, o Pix Parcelado pode sair mais caro do que parece à primeira vista.

Quem pode usar?

Ao contrário do Pix tradicional, que ampliou o acesso a serviços bancários, o parcelado só estará disponível para quem já tem crédito pré-aprovado em algum banco ou financeira. Isso significa que ele não vai atingir todos os brasileiros, mas pode beneficiar pessoas que não têm cartão de crédito ou que já usaram todo o limite disponível.

Três grupos podem se interessar pelo novo serviço:

  • Quem tem crédito aprovado, mas não possui cartão, podendo usar o Pix Parcelado como um “carnê moderno” para compras maiores, como eletrodomésticos;
  • Quem já tem cartão de crédito, mas quer comparar os juros entre as duas opções, escolhendo a mais vantajosa;
  • Quem precisa de crédito adicional, usando o Pix Parcelado como uma linha extra quando o limite do cartão já acabou.

Atenção aos riscos

Apesar das vantagens, é preciso cuidado. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alerta que muitos clientes podem acreditar que estão apenas fazendo um Pix comum parcelado, mas estarão assumindo uma dívida com juros e taxas. Sem clareza nas informações, o risco é grande de confusão e de endividamento.

Outro ponto preocupante é o aumento das dívidas no país. Segundo dados do Ministério da Fazenda e do Banco Central, o cartão de crédito já é o principal motivo de inadimplência no Brasil. Em julho, o pagamento parcial da fatura foi responsável por mais de 60% das dívidas de pessoas físicas. Nos últimos anos, esse tipo de dívida cresceu bastante, atingindo principalmente famílias de baixa renda.

Se o mesmo acontecer com o Pix Parcelado, muitas pessoas podem acabar caindo em armadilhas financeiras. Por isso, é importante que o programa siga as mesmas regras dos outros produtos de crédito, com contratos claros, limites de contratação e medidas para evitar o superendividamento.

Cuidados na hora de usar

Para quem pensa em usar o Pix Parcelado, algumas dicas podem ajudar:

  • Compare sempre as taxas cobradas pelo banco antes de fechar negócio;
  • Use essa opção apenas quando realmente precisar, e para compras importantes;
  • Evite acumular parcelas em mais de uma instituição, pois isso aumenta o risco de não conseguir pagar;
  • Leia o contrato com atenção e confirme se entendeu todas as condições.

Com a regulamentação do Banco Central, espera-se que as regras fiquem mais claras para todos. Entre as medidas estudadas estão: impedir o uso do nome “Pix” para evitar confusão, exigir contratos mais transparentes, permitir que o serviço só seja ativado por iniciativa do usuário e adotar limites proporcionais ao perfil de cada cliente.

O objetivo é dar mais segurança sem perder a praticidade que fez do Pix o meio de pagamento mais usado do Brasil.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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