O interesse dos brasileiros por investimentos em renda fixa aumentou no último ano, segundo dados da B3, a bolsa de valores do país. O número de pessoas físicas aplicando nesse tipo de produto financeiro subiu 20% na comparação entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. Com isso, já são 100,2 milhões de CPFs com recursos alocados nessa modalidade.

Sempre que a Selic se mantém em patamares elevados, aplicações de renda fixa se tornam mais atrativas, porque passam a oferecer retornos maiores de forma previsível.
O que é renda fixa?
Renda fixa é o nome dado a um grupo de investimentos em que a forma de cálculo do rendimento já é definida no momento da aplicação. Isso não significa que o investidor sempre saberá exatamente quanto vai ganhar, mas sim que as regras estão claras desde o início.
Diferente da renda variável — categoria em que estão, por exemplo, as ações negociadas na bolsa —, a renda fixa costuma oferecer menor risco e mais estabilidade. Nela, o investidor normalmente empresta dinheiro a bancos, empresas ou ao próprio governo e recebe juros como contrapartida.
Tesouro Direto cresce junto com a renda fixa
Dentro do universo da renda fixa, o Tesouro Direto foi um dos produtos que mais se destacou. Criado em 2002, o programa permite que pessoas físicas comprem títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Na prática, trata-se de um empréstimo que o cidadão faz ao governo, que promete devolver o valor acrescido de juros em determinada data.
O Tesouro Direto alcançou 3 milhões de investidores em junho deste ano, um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2024. Uma das principais razões para o avanço está na acessibilidade. Hoje, não há valor mínimo fixo para começar a investir, o que possibilita que pessoas com pouco dinheiro disponível deem os primeiros passos. Além disso, o programa é considerado seguro porque o pagamento está garantido pelo governo federal.
Tipos de títulos disponíveis
O Tesouro Direto oferece diferentes opções, que variam conforme o prazo, a forma de remuneração e o objetivo do investidor.
- Tesouro Selic:
É o título mais simples de entender e o preferido para quem busca a possibilidade de retirar o dinheiro a qualquer momento. Ele rende conforme a taxa Selic. Se a Selic está em 15% ao ano, esse será o rendimento aproximado do título. É muito usado como reserva de emergência, pois o investidor pode sacar rapidamente em situações de necessidade. - Tesouro Prefixado:
Nesse caso, a taxa de juros é conhecida no momento da compra e não muda até o vencimento. Isso garante previsibilidade, mas também traz riscos. Se os juros da economia subirem depois da aplicação, o título perde valor no mercado, já que novas emissões se tornam mais vantajosas. O efeito contrário ocorre quando os juros caem. - Tesouro IPCA+:
Esse título combina uma taxa fixa com a variação do IPCA, o índice oficial de inflação do país. A ideia é garantir que o investidor não perca poder de compra ao longo do tempo. É recomendado para metas de médio e longo prazo, como a aposentadoria. No entanto, quem vende antes do prazo pode ter prejuízo, pois os preços desses papéis variam no mercado. - Tesouro RendA+:
Voltado para aposentadoria, esse título cria uma renda mensal que dura 20 anos. O investidor escolhe quando deseja começar a receber os pagamentos — o ano mais próximo disponível é 2030. Ele também é corrigido pela inflação, somada a uma taxa de juros. - Tesouro Educa+:
Lançado em 2023, tem como objetivo custear estudos. Ele paga uma renda mensal por cinco anos, pensada para ajudar famílias a bancarem a faculdade de filhos ou dependentes. Seu funcionamento é parecido com o do RendA+, mas com prazo menor.
O impacto da Selic na renda fixa
A Selic é definida pelo Banco Central e serve como referência para outros juros da economia, como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, mas os investimentos atrelados a ela se tornam mais vantajosos.
Com a Selic em 15% ao ano, títulos como o Tesouro Selic ou mesmo os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecem retornos superiores aos da poupança, que tem rendimento limitado por regras próprias e acaba ficando menos interessante em períodos de juros altos.
Esse cenário explica parte do crescimento da renda fixa. Pessoas que investem e buscam segurança e retornos previsíveis passaram a direcionar mais o seu dinheiro para essa categoria, em vez de assumir os riscos da renda variável, que depende de oscilações do mercado e pode gerar perdas.