Uma pesquisa nacional realizada pelo PoderData mostrou que os fiéis ligados a igrejas evangélicas têm apostado mais em jogos on-line do que os que frequentam a igreja católica. Segundo o levantamento, 41% dos evangélicos afirmaram já ter feito algum tipo de aposta pela internet, contra 34% dos católicos.

O número chama atenção porque a maioria das igrejas condena práticas ligadas a jogos de azar. Mesmo assim, a participação dos fiéis nesse tipo de atividade aumentou nos dois grupos.
O que são as “bets”?
O termo “bet”, do inglês “aposta”, é usado para se referir a plataformas digitais de jogos de azar ou de previsões esportivas. Esses sites permitem que o usuário aposte dinheiro real em resultados de partidas de futebol, corridas e outros esportes, ou em jogos virtuais com prêmios em dinheiro.
Nos últimos anos, o acesso facilitado pelo celular e o marketing dessas empresas, que utilizam influenciadores e atletas famosos para atrair o público, ampliou o número de pessoas que apostam. As “bets” se tornaram um fenômeno no Brasil, especialmente após a popularização de propagandas com o lema “apostou, ganhou, sacou”, que reforça a ideia de retorno rápido de dinheiro.
Porém, especialistas alertam que essas apostas funcionam como qualquer outro jogo de azar: o lucro das plataformas é maior do que a chance de ganho dos apostadores. Quando as perdas se acumulam, muitas pessoas acabam se endividando.
Endividamento atinge 35% dos fiéis que apostam
A pesquisa também investigou o impacto financeiro das apostas e, entre os entrevistados que declararam já ter jogado on-line, 35% disseram ter se endividado devido às apostas. O índice é o mesmo entre evangélicos e católicos, mostrando que o risco financeiro é semelhante, independentemente da religião.
Assim, as apostas podem funcionar como um “gatilho” para o desequilíbrio financeiro, pois a expectativa de ganhar dinheiro rápido pode levar o jogador a gastar valores cada vez maiores, já que o apostador tende a continuar jogando na tentativa de “recuperar o que perdeu”, o que muitas vezes agrava o problema.
Crescimento geral das apostas on-line no Brasil
O levantamento indica que o crescimento das apostas on-line não é restrito a um grupo religioso. Em todo o país, 36% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam já ter feito apostas em plataformas digitais. Há um ano, o índice era de 24%. Em números absolutos, isso representa cerca de 56 milhões de pessoas que já tiveram algum contato com jogos de aposta pela internet.
Entre os grupos que mais apostam estão os homens e os jovens de 16 a 24 anos. O aumento do número de apostadores acompanha a expansão das empresas de apostas esportivas, que se tornaram presença constante em transmissões de futebol, redes sociais e uniformes de times.
Apesar disso, o setor ainda gera debate sobre regulação e fiscalização. O governo federal discute regras para cobrança de impostos, limites de propaganda e exigências de transparência das plataformas, mas muitas delas ainda operam com sede no exterior, o que dificulta o controle.
Religião e comportamento financeiro
Embora a religião condene o jogo, o apelo das apostas on-line está ligado à promessa de prosperidade financeira rápida, que pode atrair pessoas em busca de melhoria de vida. A orientação é que as pessoas evitem comprometer a renda com apostas e procurem apoio, seja em programas de orientação financeira, seja em suas comunidades religiosas, caso percebam que estão perdendo o controle.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. As entrevistas foram feitas por telefone (fixo e celular), por meio de um sistema automatizado em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde pelo teclado do aparelho.
Os resultados foram ajustados para representar a população brasileira por sexo, idade, renda, escolaridade e região. O intervalo de confiança é de 95%.


