Hoje, 13 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Dinheiro. A data foi instituída em 1808 pelo príncipe-regente Dom João VI e marca a criação do Banco do Brasil, primeira instituição a emitir moeda em território brasileiro e quarta a operar no mundo. Desde então, o dinheiro se consolidou como símbolo de poder, segurança e também de preocupação para grande parte da população.
No Brasil de hoje, em meio à alta de preços, dívidas e desemprego, o tema continua mais atual do que nunca. Especialistas em finanças pessoais apontam que compreender o papel do dinheiro e aprender a lidar com ele é um passo essencial para conquistar estabilidade e bem-estar.
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Dinheiro como aliado: o ponto de partida é a consciência
Para muitas famílias, falar sobre dinheiro ainda é motivo de angústia. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgados em setembro de 2025, 78,1% das famílias brasileiras estão endividadas, e 30,5% têm contas em atraso.
A educadora financeira Rebeca Toyama, em entrevista à BBC News Brasil, afirma que o primeiro passo para mudar essa realidade é reconhecer que o dinheiro é uma ferramenta, e não um inimigo. “Quando entendemos o fluxo de entrada e saída, conseguimos usar o dinheiro a favor de nossos objetivos”, explica.
A base para essa mudança é a educação financeira, que, segundo o Banco Central do Brasil, reúne “conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para tomar decisões conscientes sobre finanças pessoais”.
Por que o dinheiro gera tanta ansiedade?
O medo de não ter o suficiente, a falta de controle dos gastos e o desconhecimento sobre juros e dívidas estão entre as principais causas da ansiedade financeira. Uma pesquisa realizada pela Serasa em agosto de 2025 mostrou que 64% dos brasileiros afirmam sentir estresse ao lidar com dinheiro.
Além do impacto emocional, a falta de organização financeira pode comprometer o futuro. Dívidas de cartão de crédito, por exemplo, têm juros médios de 412% ao ano, segundo o Banco Central.
Como aprender a lidar com o dinheiro no dia a dia?
1. Organize seu orçamento
Registre todos os ganhos e despesas mensais, incluindo pequenas compras. Isso permite visualizar para onde o dinheiro está indo e onde é possível ajustar.
2. Defina prioridades
Separe o que é essencial (aluguel, alimentação, saúde) e o que é supérfluo. Essa distinção ajuda a reduzir gastos desnecessários e direcionar recursos para o que realmente importa.
3. Crie uma reserva de emergência
Especialistas indicam guardar de três a seis meses de despesas. Mesmo que o valor inicial seja pequeno, o hábito de poupar é o mais importante.
4. Use o crédito de forma consciente
Evite o crédito rotativo do cartão e o cheque especial. São linhas de crédito com os juros mais altos do mercado e podem transformar pequenas dívidas em grandes problemas.
5. Invista, mesmo que pouco
A aplicação em títulos públicos, como o Tesouro Direto, é uma opção acessível. Com R$ 30, já é possível começar a investir e ver o dinheiro render com segurança.
6. Revise seu plano com frequência
A cada mês, revise seus gastos e metas. O planejamento deve acompanhar as mudanças de renda, emprego ou rotina familiar.
Educação financeira e transformação social
No Brasil, o Senado Federal discute tornar obrigatória a educação financeira nas escolas, com o objetivo de reduzir o endividamento e preparar os jovens para o uso consciente do dinheiro.
Em cidades onde o tema já foi introduzido na grade escolar, professores relatam que os alunos aprendem a planejar gastos domésticos, calcular juros e até ajudar suas famílias na administração da renda.
A educação financeira familiar, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), tem impacto direto na redução de dívidas. Em pesquisa publicada em julho de 2025, o SPC indicou que 45% dos consumidores que passaram a anotar gastos mensais conseguiram sair do vermelho em até seis meses.
O impacto do dinheiro bem administrado
Para quem ganha R$ 2.000 por mês, reservar R$ 100 mensalmente pode parecer pouco. No entanto, após um ano, o valor acumulado, sem considerar rendimentos, chega a R$ 1.200, o suficiente para cobrir despesas imprevistas ou iniciar um investimento.
Em cenários de inflação e juros elevados, ter controle sobre o próprio orçamento é fundamental. A boa gestão financeira proporciona mais tranquilidade e reduz a dependência de crédito caro.
Segundo o Instituto Locomotiva, empresa de pesquisa e inteligência de negócios que se dedica a entender o consumidor, 67% dos brasileiros da classe C afirmam que aprender sobre finanças mudou a forma como consomem e lidam com dívidas. Isso reforça o papel da informação na construção de uma vida financeira mais saudável.


