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Juros futuros sobem com aumento do risco fiscal; entenda

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), que refletem a expectativa do mercado para os juros futuros, encerraram a quinta-feira, 2 de outubro, em alta consistente. O movimento ocorreu em meio à percepção de maior risco fiscal no Brasil, após a aprovação de medidas que podem elevar os gastos públicos.

Os contratos de janeiro de 2028 fecharam a 13,46% ao ano, avanço de 8 pontos-base em relação ao ajuste anterior, de 13,38%. Já os contratos para janeiro de 2029 terminaram o dia em 13,375%, contra 13,254% da sessão passada.

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Movimento nos juros futuros reflete tensão do mercado diante de medidas fiscais e expectativas eleitorais | Foto: Reprodução/Canva
Movimento nos juros futuros reflete tensão do mercado diante de medidas fiscais e expectativas eleitorais | Foto: Reprodução/Canva

Impacto da isenção do Imposto de Renda

A principal influência no mercado veio da aprovação na Câmara da proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês. O projeto também prevê desconto para rendas de até R$ 7.350.

A renúncia fiscal estimada com a medida é de R$ 25,8 bilhões anuais, segundo cálculos oficiais. Para compensar a perda de arrecadação, a proposta prevê taxação de até 10% sobre rendimentos mensais superiores a R$ 50 mil. A medida ainda precisa ser analisada pelo Senado.

Apesar de prever contrapartidas, parte dos agentes de mercado teme que a medida seja utilizada como instrumento de ganho político em um cenário de pré-eleição presidencial.

Rumores sobre tarifa zero aumentam pressão

Durante a manhã, as taxas dos DIs chegaram a recuar diante da aprovação do projeto com compensações fiscais. No entanto, o movimento se reverteu após rumores de que o governo avalia implantar um programa federal de tarifa zero para transporte coletivo urbano em todo o Brasil.

A possibilidade levantou preocupações de impacto nas contas públicas, especialmente se medidas semelhantes forem ampliadas em um ano que antecede a campanha eleitoral de 2026.

Segundo Mariana Salomão, sócia da One Investimentos, o mercado reagiu negativamente às informações sobre gratuidade no transporte. “Isso acaba piorando a perspectiva para o fiscal”, afirmou à Reuters, a maior agência internacional de notícias do mundo.

Contratos longos e curva de juros

Os contratos mais longos também registraram elevação. O contrato de janeiro de 2035 encerrou a 13,64%, com alta de 15 pontos-base frente aos 13,493% do ajuste anterior. No pico do dia, às 12h03, essa taxa chegou a 13,715%, aumento de 22 pontos-base em relação à véspera.

Para o sócio da Nexgen Capital, Felipe Izac, a alta está diretamente ligada ao quadro fiscal. “Contas públicas cada vez piores, governo aprovando medidas populistas visando as eleições de 2026, funcionários públicos buscando reajuste em remuneração — tudo isso tem puxado os prêmios dos DIs para cima”, disse à Reuters.

Selic e expectativas do mercado

No fim da sessão, a curva de juros brasileira precificava em 99% a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para o início de novembro.

O movimento interno ocorreu apesar de o mercado internacional apresentar um cenário mais estável. Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos, referência global para investimentos, recuaram no final da tarde. Às 16h34, o título de dez anos caiu 2 pontos-base, para 4,087% ao ano.

Contexto fiscal e político

A combinação da aprovação da isenção do Imposto de Renda, os rumores sobre tarifa zero e o ambiente político em torno da sucessão presidencial influenciaram diretamente as taxas de juros futuras no Brasil.

O cenário fiscal segue como fator central na formação de preços no mercado financeiro, e a percepção de medidas que elevem gastos tende a refletir imediatamente nos contratos futuros de juros.

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