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Crise do metanol pressiona setor de bebidas em 2025: entenda o impacto

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O setor de bebidas alcoólicas brasileiro atravessa um dos períodos mais sensíveis dos últimos anos após os casos de intoxicação por metanol registrados desde setembro de 2025. A crise, inicialmente concentrada no estado de São Paulo, também teve notificações no Paraná, Pernambuco e Mato Grosso. A contaminação, vinculada majoritariamente a produtos falsificados, desencadeou uma queda imediata na confiança do consumidor e afetou o desempenho financeiro do segmento.

Dados da Varejo 360 mostraram que, nos dias seguintes à divulgação dos primeiros casos pela imprensa, as vendas sofreram retração relevante. Em 25 de setembro, as compras caíram mais de 35% frente ao mesmo dia da semana equivalente de 2024, e em 26 de setembro a queda foi de 25%.

As informações foram obtidas a partir da análise de 33,7 mil notas fiscais emitidas por pequenos comércios, adegas, lojas de conveniência, supermercados e varejo de autosserviço somente no estado de São Paulo.

Leia também: Metanol e inflação provocam queda de 4,9% nas vendas de bares e restaurantes em setembro

Setor de bebidas intensifica ações para recuperar confiança e retomar vendas após impacto da crise do metanol | Foto: Reprodução/Canva
Setor de bebidas intensifica ações para recuperar confiança e retomar vendas após impacto da crise do metanol | Foto: Reprodução/Canva

Metanol impactou imediatamente no consumo

A queda atingiu especialmente gin, vodca e uísque, categorias diretamente associadas aos produtos adulterados. Embora parte do recuo também estivesse relacionada à queda de temperatura no período, a Varejo 360 identificou que a percepção de insegurança foi determinante no comportamento do consumidor.

A retração afetou não apenas estabelecimentos pequenos, mas também médios varejistas, que registraram diminuição de fluxo e de compras por impulso. O impacto financeiro variou conforme a região e o porte das empresas, mas a queda de até 35% nas vendas diárias representou perda significativa em um setor que já se preparava para a Black Friday e para o período de alta demanda do final do ano.

A retomada, no entanto, começou a ser percebida algumas semanas após os picos de casos divulgados pela mídia. De acordo com Fernando Faro, diretor de operação e cofundador da Varejo 360, a confiança foi sendo recuperada principalmente nas grandes redes varejistas, que passaram a ser percebidas pelo consumidor como ambientes mais seguros para compra.

Mudança de comportamento e migração para redes confiáveis

A crise acelerou uma mudança já observada no setor: a preferência por estabelecimentos com maior controle de procedência. O movimento de “migração para o varejo estruturado”, como chamou Faro, reforçou o papel de supermercados, grandes lojas e plataformas certificadas.

O comportamento também se reflete nas compras online. Marketplaces como Mercado Livre e Magalu reforçaram filtros de vendedores autorizados, exigindo comprovação de origem. O Magalu relatou, segundo dados internos compartilhados à imprensa, que 95% das vendas de destilados dos últimos três meses foram realizadas por estoque próprio e sellers certificados.

Para empresas tradicionais, o cenário levou ao aumento de ações de autenticação de produtos. A Diageo lançou a campanha “Da nossa fábrica para o seu drink”, com listagem de revendedores homologados. Já a CRS Brands intensificou investimentos em marketplace próprio e em parcerias com distribuidores idôneos.

Impacto financeiro e risco para o pequeno varejo

O setor de bebidas alcoólicas depende fortemente do ciclo de compras do segundo semestre, que engloba Black Friday, festas de fim de ano e o verão. Um levantamento da MindMiners de dezembro de 2024 mostrou que alimentos e bebidas estiveram entre os itens mais buscados na Black Friday, com mais da metade dos consumidores antecipando compras natalinas. Diante da crise de 2025, especialistas avaliam que o setor intensificou promoções para mitigar os prejuízos.

Para pequenos varejistas, o impacto financeiro é mais desafiador. Segundo a CRS Brands, existe risco de parte desses comerciantes não conseguirem se abastecer adequadamente por receio ou falta de capital, reduzindo potencial de vendas em categorias sazonais como espumantes, sidras e vinhos. O abastecimento inadequado pode interromper a demanda esperada para dezembro, tradicionalmente o mês de maior venda para esses produtos.

A crise também gerou aumento dos investimentos em segurança, fiscalização e certificação, que impactam custos operacionais. Entidades como a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) têm participado da iniciativa Bebida Legal, lançada em novembro, que reúne governo, indústrias e varejo para reforçar práticas de combate à falsificação.

Medidas do setor e reforço da fiscalização

O movimento Bebida Legal inclui ações como treinamentos para autoridades estaduais e municipais, capacitação certificada de mais de 13 mil bares e restaurantes, criação de uma Sala de Informação digital, protocolos de intenção para um selo de compromisso de origem e parcerias para verificação de dados.

No âmbito legislativo, tramita projeto que classifica como crime hediondo a falsificação e adulteração intencional de bebidas. A proposta conta com apoio da ABBD e busca aumentar o rigor punitivo para desestimular práticas criminosas que afetam toda a cadeia produtiva.

Por parte das empresas, há estudos de novas soluções de autenticação, incluindo embalagens mais seguras e testes rápidos para identificação de adulteração, que poderiam ser utilizados por consumidores e comerciantes.

*Entrevistas concedidas ao Meio&Mensagem.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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