O termo Pink Tax, ou “taxa rosa”, refere-se à cobrança de preços mais altos por produtos ou serviços destinados ao público feminino, em comparação com os equivalentes para o público masculino. Apesar de não se tratar de um imposto oficial, o fenômeno é apontado como forma de discriminação de gênero no consumo.
No Brasil, um estudo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de 2018 constatou que, em média, produtos destinados a mulheres são 12,3% mais caros.
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Como funciona a Pink Tax na prática
Produtos como lâminas de barbear, roupas, brinquedos “para meninas” ou versões femininas de desodorantes e shampoos são exemplos em que se observa a taxa rosa. Em muitos casos, o produto masculino tem embalagem similar, mesmo desempenho, mas preço menor. Por exemplo, um brinquedo infantil feminino pode custar mais de 20% a mais que sua versão masculina equivalente.
Além do preço pago à vista, a base do cálculo tributário incide sobre valores maiores, o que significa que a mulher acaba pagando mais imposto sobre um produto mais caro.
Por que a Pink Tax afeta especialmente as classes C e D?
As mulheres das classes C e D, em geral, têm menor poder aquisitivo e menor margem para escolher alternativas mais baratas. Assim, o impacto da taxa rosa compromete a renda desses domicílios.
Segundo levantamento da ESPM citado, essa disparidade de preços pode representar um gasto adicional considerável ao longo da vida da consumidora.
Como exemplo: se um produto essencial destinado a mulheres custa R$ 100, enquanto o equivalente masculino custa R$ 89 (o que já representa os 12,3% a mais), essa diferença repete-se mensalmente ou anualmente, comprimindo o orçamento. Em um contexto em que o gasto com higiene, vestuário ou serviços pessoais já compromete parcela importante da renda familiar, a multiplicação desse sobrepreço ao longo do tempo agrava a desigualdade financeira.
A relação com tributação e igualdade de gênero
A literatura aponta que o sistema tributário brasileiro, que incide fortemente sobre o consumo, acaba por amplificar o efeito da taxa rosa. Como o imposto é percentual sobre o preço, quando o produto feminino custa mais, automaticamente a carga tributária final é maior, mesmo que a alíquota seja igual. Assim, a mulher paga mais não apenas pelo preço maior do bem, mas também por impostos proporcionais mais altos. Esse mecanismo reforça desigualdades de gênero no consumo e na tributação.
O estudo revela os seguintes pontos:
• No Brasil, a diferença média de preço dos produtos femininos foi de 12,3% segundo o estudo da ESPM;
• Em setores específicos, como vestuário ou cuidados pessoais, a diferença pode ultrapassar 20% ou mais;
• Serviços também são afetados: diferenciações de preço entre serviços para homens e para mulheres em barbearias ou salões de beleza foram apontadas como parte do fenômeno.
Impactos práticos e o que o consumidor pode fazer
Para mulheres das classes C e D o efeito é subir o custo de itens básicos, reduzir margens de poupança ou comprometer mais da renda com consumo habitual.
Algumas opções de ação incluem:
- Comparar preços entre versões masculina e feminina de produtos semelhantes.
- Verificar se a diferença de preço justifica diferenças na composição ou função.
- Optar por versões neutras ou masculinas quando possível.
- Exigir transparência sobre composição, embalagens e justificativas de preços.
- Acompanhar debates e legislação sobre igualdade de preços e consumo.
Perspectivas regulatórias
A discussão sobre a taxa rosa entrou no debate tributário e regulatório. Por exemplo, a advocacia-geral da União (AGU) tratou o tema como parte do Mês da Mulher, convidando a sociedade a refletir sobre o impacto da taxa rosa. Especialistas em tributação apontam que a taxa rosa deve ser considerada em reformas tributárias para corrigir distorções no consumo de mulheres.