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Trabalho aquecido reduz desemprego e eleva renda no Brasil, mostra IBGE

A nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica), aponta que o mercado de trabalho brasileiro segue em ritmo firme, apesar dos sinais de desaceleração econômica. Os dados do terceiro trimestre de 2025 indicam queda no tempo médio de busca por emprego e aumento real da renda, reforçando a leitura de que a economia tem mantido capacidade de absorção de trabalhadores.

Segundo o IBGE, o grupo de pessoas que procurou trabalho por menos de um mês caiu 14,2% em relação ao terceiro trimestre de 2024. O movimento mostra que parte dos brasileiros tem conseguido voltar ao mercado de forma mais rápida, mesmo em um cenário de juros elevados. A taxa de desocupação registrada no período ficou em 5,6%, o menor nível desde 2012, quando teve início a série histórica da pesquisa.

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Mercado de trabalho segue firme em meio à desaceleração econômica, com brasileiros encontrando vagas mais rápido e renda avançando acima da inflação | Foto: Reprodução/Canva
Mercado de trabalho segue firme em meio à desaceleração econômica, com brasileiros encontrando vagas mais rápido e renda avançando acima da inflação | Foto: Reprodução/Canva

Tempo menor de busca por emprego

A queda de 14,2% entre quem procurou trabalho por menos de 30 dias é um dos destaques da pesquisa. O indicador é acompanhado por economistas porque revela, de forma direta, a velocidade de recolocação no mercado. A redução no tempo de procura ocorreu simultaneamente à desaceleração da economia e ao patamar elevado da taxa básica de juros, fatores que geralmente pressionam o mercado de trabalho.

Para a pesquisadora Janaína Feijó, do FGV Ibre, o comportamento dos indicadores mostra que a expectativa de desaceleração mais forte não se confirmou. Ela afirma em entrevista ao InfoMoney que, com os juros em 15% ao ano, a projeção inicial era de maior estabilidade nos salários e de redução nos pedidos de demissão voluntária. A especialista avalia que a alta nos pedidos de desligamento mostra que parte dos trabalhadores está encontrando vagas com condições mais favoráveis, mesmo num ambiente de crédito mais restrito.

Renda média aumenta e alcança R$ 3.507

Outro ponto reforçado pelo levantamento é o avanço da renda. A Pnad Contínua mostra que o rendimento médio real do trabalho chegou a R$ 3.507 no trimestre encerrado em setembro. O valor representa alta de 4% em relação ao mesmo período de 2024, quando a renda era de R$ 3.373, já descontando a inflação. O IBGE destaca que a elevação tem relação com a busca das empresas por estabilidade em suas equipes e estratégias para retenção de profissionais.

O aumento da renda também ocorre em paralelo a uma taxa de participação relativamente estável. O percentual de pessoas em idade para trabalhar que estavam empregadas ou buscando emprego ficou em 62,2%, ligeiramente abaixo dos 62,4% registrados no trimestre anterior. A estabilidade sugere que não houve grandes mudanças no perfil de entrada e saída da força de trabalho.

Desemprego no menor patamar desde 2012

O desemprego no terceiro trimestre, medido em 5,6%, permanece no menor nível da série histórica da Pnad Contínua. Apesar disso, o número mostra leve acomodação quando comparado aos 5,8% do trimestre imediatamente anterior. O cenário indica que o mercado de trabalho, embora aquecido, já não avança no mesmo ritmo registrado entre o fim de 2023 e o ano de 2024.

Essa acomodação pode ter relação com a política monetária. A taxa de juros elevada reduz o crescimento da economia e, com isso, diminui o ritmo de abertura de novas vagas. Mesmo assim, o patamar atual é visto como baixo em relação ao histórico brasileiro.

O que esperar para 2025 e 2026

Para 2025, a expectativa de analistas ouvidos pelo FGV Ibre e por instituições de mercado, citadas nos informes recentes, é de uma desaceleração mais clara da atividade econômica. A manutenção dos juros em 15% pode reduzir o ímpeto de setores ligados a crédito, como indústria e construção. Ainda assim, a previsão é de resiliência no mercado de trabalho, já que a desaceleração prevista não representa redução significativa de vagas, mas um ritmo menos acelerado.

O cenário para 2026 depende diretamente das decisões de política monetária e fiscal. A possibilidade de cortes nos juros pode estimular investimentos, especialmente em áreas intensivas em mão de obra.

Entre os fatores de atenção estão a discussão sobre o tarifaço da indústria, que afeta custos de produção, e o impacto das medidas de estímulo econômico sobre a inflação. O comportamento desses indicadores deve influenciar as escolhas do Banco Central e, consequentemente, o desempenho do emprego.

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