O uso de cartão corporativo é uma prática comum em empresas brasileiras para cobrir despesas de viagens, alimentação e compromissos profissionais de funcionários. No entanto, um levantamento divulgado pela Paytrack, plataforma especializada em gestão de despesas e viagens corporativas, aponta que o uso inadequado desse recurso ainda gera impacto financeiro relevante para as companhias.
Segundo o estudo, as empresas registraram mais de 90 mil tentativas de reembolso não autorizadas ao longo do ano. Entre todos os itens barrados, as bebidas alcoólicas aparecem como o principal motivo de bloqueio, concentrando os maiores valores e o maior número de ocorrências.
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“Choppinho” lidera ranking de bloqueios
Entre as bebidas alcoólicas, o chopp foi o item com mais registros de tentativas de reembolso indevido. De acordo com o levantamento, foram contabilizados cerca de 4,8 mil bloqueios relacionados especificamente a esse produto. A recorrência chamou a atenção dos analistas da Paytrack, que classificaram o “choppinho” como o reembolso mais negado em cartões corporativos em 2025.
Somente os termos “dose” e “cerveja”, quando analisados em conjunto, somam mais de R$ 280 mil em gastos vetados pelas empresas ao longo do ano. Esse valor corresponde a despesas que, se aprovadas, teriam sido integralmente reembolsadas pelas companhias, impactando diretamente o caixa corporativo.
Impacto financeiro supera R$ 435 mil
Ao considerar o conjunto das bebidas alcoólicas identificadas no levantamento, como chopp, cerveja, vodka e cachaça, o impacto financeiro dos gastos barrados ultrapassa R$ 435 mil em 2025. Todo esse valor está expresso em reais e corresponde a tentativas de reembolso que contrariaram as políticas internas das empresas analisadas.
O dado evidencia que, mesmo com regras claras sobre o uso do cartão corporativo, parte dos colaboradores ainda tenta incluir despesas pessoais ou consideradas inadequadas durante viagens ou compromissos profissionais.
Ranking dos itens mais barrados
Além das bebidas alcoólicas, o estudo da Paytrack detalhou os itens mais frequentemente bloqueados nos pedidos de reembolso. A palavra “dose” lidera o ranking geral, com mais de 22 mil ocorrências, o que representa 24,7% do total de itens negados analisados. Esse volume corresponde a cerca de R$ 110 mil em gastos bloqueados.
Na sequência aparece a “cerveja”, presente em 19,1% das tentativas de reembolso não autorizadas, somando aproximadamente R$ 170 mil. Já o “chocolate” figura como o terceiro item mais recorrente, com mais de 7 mil ocorrências e cerca de R$ 45 mil em valores vetados.
Embora o chocolate não seja uma bebida alcoólica, sua presença no ranking indica que itens considerados pessoais ou fora das diretrizes corporativas também aparecem com frequência nos pedidos de reembolso.
Como funciona o controle dos cartões corporativos
Os cartões corporativos são utilizados pelos colaboradores para despesas relacionadas ao trabalho, que depois são analisadas e reembolsadas pela empresa. Normalmente, as organizações possuem políticas internas de compliance que definem o que pode ou não ser pago com esse tipo de cartão, incluindo limites de valor, categorias permitidas e situações específicas, como viagens a trabalho.
Quando uma despesa foge dessas regras, o sistema de controle ou a equipe financeira pode bloquear o reembolso, evitando que a empresa arque com custos indevidos. O levantamento da Paytrack analisou exatamente essas tentativas de uso fora do padrão estabelecido.
Diferença entre regra e comportamento
Segundo o CEO da Paytrack, Pedro Góes, os dados revelam um descompasso entre as políticas corporativas e o comportamento de parte dos colaboradores. Em declaração reproduzida pela CNN Brasil, ele afirmou que, mesmo com regras bem definidas, ainda existe uma lacuna relevante entre o que está previsto nas normas internas e as escolhas feitas durante viagens corporativas.
O executivo destaca que o volume de tentativas de reembolso não autorizado indica a necessidade de reforço na comunicação das regras e no acompanhamento das despesas, especialmente em períodos de maior circulação de funcionários, como eventos, treinamentos e viagens de fim de ano.
Reflexo para empresas e trabalhadores
Para as empresas, o controle mais rígido dos cartões corporativos busca reduzir desperdícios e garantir o uso correto dos recursos financeiros. Já para os trabalhadores, o bloqueio de reembolsos pode gerar frustração quando não há clareza sobre as regras ou quando despesas pessoais são confundidas com gastos profissionais.
O levantamento da Paytrack, ao quantificar valores e itens mais recorrentes, fornece um retrato do uso prático dos cartões corporativos no Brasil em 2025, com base em dados consolidados de despesas analisadas pela plataforma ao longo do ano.


