O período entre dezembro e janeiro está tradicionalmente entre os mais movimentados para o turismo brasileiro. Segundo dados do Ministério do Turismo, mais de 9 milhões de brasileiros viajaram no verão 2023/2024, número que se manteve estável em 2024/2025.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que os serviços ligados a viagens e lazer movimentaram aproximadamente R$ 20 bilhões somente nas festas e férias de fim de ano de 2024. Para 2025, a estimativa atualizada da entidade aponta crescimento próximo de 5%, impulsionado pela combinação de demanda doméstica aquecida, feriados prolongados e maior oferta de pacotes nacionais.
O aumento do fluxo turístico se reflete em uma cadeia ampla que envolve companhias aéreas, bares, hotéis, restaurantes, aplicativos de transporte, lojas de varejo e prestadores de serviços. Com isso, o período reforça o papel estratégico do turismo na economia brasileira. De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor representou 7,8% do PIB nacional em 2024, o equivalente à cerca de R$ 680 bilhões, além de empregar mais de 6 milhões de trabalhadores.
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Alta demanda impulsiona setores de transporte e hospedagem
No transporte aéreo, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) registrou que dezembro de 2023 marcou o maior número de passageiros transportados desde 2019, com mais de 8,4 milhões de embarques domésticos. Em 2024, o desempenho foi similar, e a expectativa para dezembro de 2025 é de novo avanço, acompanhando o aumento da oferta de voos e a entrada de operadores low cost em rotas brasileiras.
No setor de hospedagem, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) apontou que as festas de fim de ano garantiram taxas médias de ocupação acima de 75% em destinos turísticos tradicionais, como Salvador, Rio de Janeiro e Fortaleza, durante o Réveillon de 2024. Para 2025, redes hoteleiras nacionais estimam demanda ainda maior para pacotes com alimentação inclusa, motivada pelo planejamento financeiro das famílias e pela busca por previsibilidade de gastos.
Comércio e serviços locais sentem os efeitos diretos do turismo
O impacto do turismo não se limita às passagens e à hospedagem. O comércio local também registra alta considerável durante o período. Segundo a CNC, as festas de fim de ano de 2024 impulsionaram o varejo em cerca de R$ 76 bilhões, número que engloba compras de Natal e consumo associado ao turismo. Mercados informais, pequenos empreendedores e vendedores autônomos também se beneficiam do aumento no fluxo de visitantes.
Setores como alimentação fora do lar, transporte por aplicativo e compra de lembranças regionais registram ganhos relevantes. O Instituto Fecomércio do Rio de Janeiro (IFec-RJ) calculou que turistas que visitaram a capital fluminense para o Réveillon 2024 gastaram, em média, R$ 254 por dia, excluindo hospedagem. Para 2025, a projeção revisada pelo instituto indica que esse valor pode ultrapassar R$ 270, acompanhando a inflação acumulada e o aumento nos custos dos serviços.
Emprego temporário cresce durante o período
O fim de ano também é conhecido por gerar oportunidades de trabalho. A CNC estimou que o país registrou mais de 130 mil vagas temporárias para o Natal de 2024, muitas delas em comércio, hotelaria e alimentação. Parte desses trabalhadores migra para o setor turístico conforme as festas avançam e as férias escolares começam.
Empregos sazonais são considerados um dos principais efeitos indiretos do turismo sobre a economia, já que ampliam renda local e podem funcionar como porta de entrada para contratações permanentes. Para 2025, entidades do comércio e do turismo preveem número semelhante ou superior, caso as projeções de fluxo turístico se confirmem.
Turismo nacional ganha força diante dos preços internacionais
A variação cambial também influencia o comportamento dos viajantes. Em 2024, o dólar comercial flutuou entre R$ 4,85 e R$ 5,60, segundo o Banco Central. Para muitas famílias, esse cenário tornou as viagens internacionais menos acessíveis, estimulando o turismo interno.
Destinos como litoral nordestino, cidades históricas de Minas Gerais e regiões serranas do Sul seguem entre os mais procurados para o período de festas, de acordo com dados da plataforma Decolar divulgados no último trimestre de 2024. A preferência por viajar dentro do país fortalece economias regionais e aumenta a circulação local de renda.
Expectativas para o fim de 2025
Com estabilidade no mercado de trabalho e expectativa de crescimento moderado para a economia brasileira, a Confederação Nacional do Comércio projeta que o turismo de fim de ano de 2025 deve ter resultados positivos. A soma de eventos, férias escolares, festividades religiosas e aumento do consumo tende a manter o setor como um dos principais motores econômicos do período.
As projeções, porém, dependem da manutenção de variáveis como inflação controlada, preço das passagens aéreas e custo dos serviços. A combinação desses fatores ainda será monitorada por especialistas ao longo dos próximos meses.


