A volta às aulas começou com um alerta importante para pais e responsáveis em todo o estado de São Paulo. Um levantamento divulgado pelo Procon-SP mostrou que um mesmo item de material escolar pode custar mais que o triplo dependendo da loja onde é comprado. Em alguns casos, a diferença de preços ultrapassa 200%, o que ajuda a explicar por que o orçamento familiar fica mais apertado logo no início do ano letivo.
O exemplo mais chamativo vem da capital paulista. Uma caneta esferográfica da marca Trilux foi encontrada por R$ 1,30 em uma loja e por R$ 4,90 em outra, o que representa uma variação de 276,92%.

Segundo o Procon-SP, essa diferença reforça a importância de pesquisar preços antes da compra. “Os pequenos valores acabam influenciando todo o orçamento quando somados. Por isso, comparar preços e reaproveitar materiais que ainda podem ser usados faz muita diferença”, informou a entidade.
Capital concentra as maiores diferenças de preços
O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 16 de dezembro de 2025 e analisou preços de materiais escolares em nove municípios paulistas. A cidade de São Paulo foi a que apresentou as maiores discrepâncias, com quatro tipos de canetas registrando variações acima de 200%.
Além da caneta Trilux, outros produtos tiveram diferenças expressivas na capital. A caneta esferográfica Cristal Fina chegou a variar 254,55%, enquanto a Compactor Economic teve diferença de 222,22%. Já a caneta retrátil Pilot BP-1RT foi encontrada por valores que iam de R$ 3,45 a R$ 10,50, uma variação de 204,35%.
Entre as cidades analisadas, apenas Bauru apresentou variações menores que 100%. São Paulo, São José dos Campos e São José do Rio Preto foram os únicos municípios onde um mesmo produto chegou a custar mais de três vezes o valor praticado em outra loja.
Onde encontrar os menores preços?
Além de apontar as diferenças, o estudo também identificou os estabelecimentos que concentraram o maior número de itens com preços mais baixos em cada cidade. Na capital, a Papelaria Magno’s liderou, com 46 produtos mais baratos. Em Campinas e na Baixada Santista, lojas da rede Kalunga apareceram com destaque. Já em cidades do interior, papelarias locais foram as que mais ofereceram preços reduzidos.
Volta às aulas sobe mais que a inflação
O peso do material escolar no orçamento não vem apenas das variações entre lojas. Um estudo da plataforma de investimentos Rico mostrou que a chamada “cesta de volta às aulas” subiu 5,32% em 2025, enquanto a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o ano em 4,26%.
No acumulado de cinco anos, a diferença fica ainda mais clara. Enquanto a inflação geral avançou 33,13%, os gastos ligados à educação, que incluem material escolar, uniforme, mensalidades e transporte, subiram 39,34%. Isso significa que, na prática, quem tem filhos em idade escolar sente um aumento maior do custo de vida do que o índice geral da economia sugere.
Papelaria, livros e mensalidades pressionam o orçamento
Entre os gastos mais imediatos estão papelaria e livros. Em 2025, a inflação da papelaria foi de 2,39%, abaixo da inflação geral, possivelmente influenciada por promoções e maior concorrência. No entanto, no período de cinco anos, esses itens acumulam alta de 39,64%.
Nos livros, o comportamento foi desigual. Os didáticos subiram 4,47% em 2025, enquanto os não didáticos avançaram 6,32% no mesmo ano e acumulam quase 52% de alta desde 2021. Esse cenário tem levado muitas famílias a buscar alternativas, como livros usados, trocas entre pais e bibliotecas escolares.
As mensalidades escolares seguem como uma das maiores pressões ao longo do ano. Desde 2021, o ensino fundamental acumulou alta de 49,35%, e o ensino médio, de 47,52%. Uma mensalidade de R$ 1.000 no início da década hoje se aproxima de R$ 1.500.
Pesquisa continua sendo a principal aliada
Diante desse cenário, a principal recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é pesquisar antes de comprar. Comparar preços, evitar compras por impulso e reaproveitar materiais em bom estado são atitudes que ajudam a reduzir o impacto da volta às aulas no orçamento.