O início de 2026 trouxe um sinal de atenção para quem acompanha a economia e o impacto dela na confiança do consumidor. O Índice Nacional de Confiança (INC) atingiu 100 pontos em janeiro, o que representa uma queda de 2% em relação ao mês de dezembro e interrompe uma sequência de quatro meses seguidos de alta.
Na comparação com janeiro de 2024, o índice também recuou 2%, o que reforça a leitura de que a confiança perdeu força ao longo do último ano. O INC é elaborado pela plataforma de pesquisa PiniOn em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e funciona como um termômetro do sentimento das famílias em relação à situação financeira, ao emprego e às expectativas para os próximos meses.

Os 100 pontos são uma espécie de linha divisória. Quando o índice fica acima desse patamar, prevalece uma visão mais positiva da economia. Quando fica abaixo, cresce a sensação de dificuldade. Ao retornar exatamente para esse nível, o resultado de janeiro mostra que o consumidor segue cauteloso e menos confiante em relação ao futuro.
Presente mais estável não garante tranquilidade nos próximos meses
Um dos pontos que ajudam a explicar esse movimento está na diferença entre como as famílias enxergam o presente e como avaliam o futuro. A pesquisa mostra que houve melhora na percepção sobre a situação financeira atual, o que indica algum alívio no orçamento doméstico. Ainda assim, as expectativas em relação à renda e ao emprego nos próximos meses pioraram.
Esse contraste costuma gerar insegurança. Mesmo quando as contas estão em dia, a falta de clareza sobre o que vem pela frente faz com que as pessoas evitem decisões que possam comprometer o orçamento por muito tempo. Assim, o consumo continua acontecendo, mas de forma mais controlada e planejada, com o consumidor pensando duas vezes antes de assumir novos compromissos financeiros, principalmente quando não há garantia de que a renda seguirá no mesmo ritmo.
Menos confiança reduz compras grandes e muda planos financeiros
A falta de otimismo com o futuro impactou diretamente a disposição para compras de maior valor. Segundo a ACSP, houve menor interesse em adquirir bens como carros, imóveis e eletrodomésticos, que normalmente exigem parcelamentos longos ou financiamentos. Esse comportamento mostra uma escolha mais cuidadosa, priorizando gastos essenciais.
Além disso, a pesquisa identificou queda tanto na intenção de investir quanto na disposição para poupar. Esse dado indica que muitas famílias seguem focadas em equilibrar as despesas do dia a dia, deixando planos financeiros de longo prazo para depois.
Renda ajuda, mas dívidas e juros altos pesam no bolso
O mercado de trabalho continua ajudando a sustentar o consumo e o aumento da renda e do emprego, somado ao novo crédito consignado e a outras transferências de renda do governo.
Apesar disso, esses fatores positivos acabam sendo superados por dois problemas importantes, como o alto endividamento das famílias e a desaceleração econômica causada pelos juros elevados. Com parcelas mais caras e crédito restrito, sobra menos espaço no orçamento, o que afeta diretamente a confiança.
A pesquisa também mostra que a percepção da economia varia conforme a realidade financeira. Entre quem tem maior poder de compra, o humor melhorou, já que os juros altos pesam menos. Já entre famílias que dependem mais do crédito para consumir, a elevação da taxa básica de juros tem impacto maior, o que ajuda a explicar a piora na avaliação da economia.


