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Dólar finaliza fevereiro em queda e abre debate sobre retorno de negociação a R$ 5

Enquanto o cenário internacional apresenta um dólar fortalecido globalmente devido às tensões geopolíticas, o Brasil vive um momento de “contramão” positiva. No encerramento do mês de fevereiro de 2026, a moeda americana registrou uma desvalorização de cerca de 2% em relação ao real, sendo negociada na casa dos R$ 5,13.

Esse movimento coloca a divisa nos patamares mais baixos desde maio de 2024 e reacende uma pergunta que domina as mesas de operação: há espaço para o dólar cair abaixo dos R$ 5,00 ainda este semestre?

O principal combustível para o fortalecimento do real é o fluxo maciço de capital estrangeiro, que revela uma entrada significativa de dinheiro vindo de investidores residentes no exterior para o mercado financeiro do país.

O interesse dos investidores internacionais pela B3 (a bolsa brasileira) cresceu de forma expressiva, impulsionado por recordes sucessivos do Ibovespa e por ações que ainda são vistas como baratas (valuation atrativo) em comparação com outros mercados emergentes.

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: Dólar encerra fevereiro na casa dos R$ 5,13, acumulando baixa de 2% no mês e atingindo mínimas históricas de quase dois anos | Foto: Reprodução/Canva
: Dólar encerra fevereiro na casa dos R$ 5,13, acumulando baixa de 2% no mês e atingindo mínimas históricas de quase dois anos | Foto: Reprodução/Canva

O papel da política monetária e do “Carry Trade”

Além do fluxo para a bolsa, a política monetária doméstica desempenha um papel fundamental. O mercado financeiro segue atento aos passos do Banco Central do Brasil (BC) em relação à taxa Selic. Mesmo com o início do ciclo de cortes de juros no radar, o diferencial entre as taxas brasileiras e as americanas continua muito elevado.

Esse cenário favorece o que os economistas chamam de carry trade: uma estratégia onde investidores tomam dinheiro emprestado em moedas de juros baixos (como o dólar) para aplicar em moedas de juros altos (como o real), lucrando com a diferença.

Analistas da Zero Markets revelaram em entrevista ao InfoMoney que, apesar de eventuais ruídos políticos envolvendo a diretoria do Banco Central, a confiança do investidor no rigor técnico da instituição tem se mantido resiliente. Esse “voto de confiança” atua como uma âncora para o câmbio, impedindo que a moeda brasileira sofra desvalorizações bruscas mesmo em momentos de incerteza externa.

Projeções dos Gigantes: Itaú, Morgan Stanley e Pine

Embora o otimismo de curto prazo seja visível, as opiniões sobre o fechamento do ano divergem conforme o horizonte de tempo. O Itaú, por exemplo, revisou sua projeção de câmbio para R$ 5,40 em 2026 (antes era R$ 5,50), sugerindo que, mesmo que a moeda esteja bem agora, o prêmio de risco local, especialmente o cenário político pré-eleitoral, pode pressionar o dólar para cima no segundo semestre.

Já o Morgan Stanley apresenta uma visão mais otimista. O banco acredita que, se as pesquisas eleitorais continuarem apontando para resultados percebidos pelo mercado como “fiscalmente prudentes”, o real poderá sim romper a barreira dos R$ 5,00 antes de outubro. O banco ressalta que a vantagem do carry trade brasileiro é tão forte que o real acaba se tornando mais protegido do que outras moedas de países vizinhos.

O Banco Pine segue uma linha semelhante, estimando que o dólar pode buscar os R$ 5,00 ainda no primeiro semestre de 2026. Os analistas da casa explicaram ao InfoMoney que projetam uma taxa média anual de R$ 5,21, ressaltando que a combinação de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos com a resiliência do PIB brasileiro no início do ano cria o “cenário perfeito” para a valorização da nossa moeda.

Qual o impacto dessa movimentação do dólar na população?

Para o cidadão comum, a queda do dólar é uma das notícias econômicas mais impactantes para o custo de vida. O impacto é sentido, primordialmente, na inflação. Como o Brasil importa uma vasta gama de produtos, desde trigo para o pãozinho até componentes eletrônicos e fertilizantes para o agronegócio, um dólar mais barato ajuda a segurar os preços nas prateleiras dos supermercados.

Além disso, setores como o de passagens aéreas e turismo internacional tornam-se mais acessíveis, permitindo que o consumidor retome planos de viagens. No entanto, há um efeito secundário importante para a indústria: um dólar muito baixo pode prejudicar as exportadoras brasileiras, que recebem menos em reais pelos seus produtos vendidos lá fora.

Por isso, o equilíbrio defendido por economistas como Robin Brooks (do Brookings Institution), que chega a projetar um valor justo de R$ 4,50 para o real, é o que ditará se o Brasil terá um crescimento sustentável ou se enfrentará novos gargalos produtivos.

Em suma, o momento atual é de alívio para o bolso do consumidor e de oportunidade para o investidor, mas o segundo semestre, carregado pela agenda eleitoral, deve ser o verdadeiro teste de resistência para o real.

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