O novo salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, começou a ser pago nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, e já aparece no contracheque referente ao mês de janeiro. O reajuste representa um aumento de R$ 103 em relação ao valor anterior, de R$ 1.518, e corresponde a uma alta de 6,79%.

O novo valor foi oficializado pelo Decreto nº 12.797/2025 e segue a política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo federal. Essa regra combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), respeitando os limites do chamado arcabouço fiscal, que impõe um teto para o ganho real acima da inflação.
Como o novo salário mínimo foi calculado?
O reajuste do salário mínimo considera dois componentes principais: a inflação e o crescimento real da economia. A inflação acumulada do ano anterior, medida pelo INPC, é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reflete o custo de vida das famílias de menor renda. Em 2025, esse índice ficou em 3,90%.
Já o crescimento real da economia é medido pelo PIB de dois anos antes. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%. No entanto, pelas regras fiscais em vigor desde 2024, o ganho real incorporado ao salário mínimo não pode ultrapassar 2,5%. Assim, mesmo com um crescimento maior da economia, o adicional acima da inflação ficou limitado a esse teto.
Com a soma desses fatores, o reajuste total chegou a 6,79%, elevando o piso nacional para R$ 1.621. Em valores diários, o mínimo equivale a R$ 54,04. Já o valor da hora trabalhada passa a ser de R$ 7,37, considerando uma jornada de 220 horas mensais.
Impacto direto na renda e na economia
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo impacta diretamente cerca de 61,9 milhões de brasileiros. Desse total, uma parte recebe exatamente o piso nacional, enquanto outra parcela tem rendimentos e benefícios ajustados com base nesse valor.
O aumento deve injetar aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia ao longo de 2026, fortalecendo o consumo das famílias, especialmente nos setores de comércio e serviços. Ao considerar também outras medidas em vigor, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, o governo estima um impacto combinado de cerca de R$ 110 bilhões na economia.
Por outro lado, o reajuste também traz custos adicionais para as contas públicas. A Previdência Social, por exemplo, deve ter uma despesa extra estimada em R$ 39,1 bilhões, já que muitos benefícios são vinculados diretamente ao salário mínimo.
Benefícios do INSS passam a ter novos valores
Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ganham um salário mínimo já começaram a receber o novo valor desde o dia 26 de janeiro. Os pagamentos seguem até sexta-feira, 6 de fevereiro, de acordo com o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador.
Para quem recebe acima do piso, o reajuste foi menor e seguiu apenas a inflação do ano anterior, de 3,90%. Com isso, o teto dos benefícios do INSS foi atualizado para R$ 8.475,55 em 2026.
Além das aposentadorias e pensões, outros benefícios previdenciários e assistenciais também foram ajustados, como auxílio-doença, auxílio-reclusão e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Seguro-desemprego e salário-família também mudam
O seguro-desemprego acompanha o novo salário mínimo e nenhuma parcela pode ser inferior a R$ 1.621. O valor máximo do benefício passou para R$ 2.518,65, sendo calculado de acordo com a média dos salários recebidos nos meses anteriores à demissão. Esse reajuste entrou em vigor ainda em janeiro, seguindo a correção pelo INPC.
Já o salário-família, pago a trabalhadores de baixa renda com filhos ou dependentes, foi atualizado para R$ 67,54 por dependente. O benefício é destinado a quem recebe até R$ 1.980,38 por mês, considerando o salário bruto.
Contribuições ao INSS sobem com o novo piso
O reajuste do salário mínimo também altera os valores das contribuições previdenciárias. Para trabalhadores com carteira assinada, as alíquotas seguem o sistema progressivo, aplicado por faixas de salário. Quem ganha até R$ 1.621 contribui com 7,5%. Já salários mais altos têm descontos que variam de 9% a 14%, conforme a faixa.
Para contribuintes individuais, como autônomos, facultativos e microempreendedores individuais (MEI), os valores mensais também foram atualizados. No plano normal, com alíquota de 20%, a contribuição passou a ser de R$ 324,20. No plano simplificado, de 11%, o valor é de R$ 178,31. Já as opções de baixa renda e MEI, com alíquota de 5%, ficaram em R$ 81,05.
Referência central da economia brasileira
Mais do que um valor básico de remuneração, o salário mínimo funciona como uma das principais referências econômicas do país. Previsto na Constituição Federal, ele define o menor valor que pode ser pago a um trabalhador formal e serve de base para uma ampla rede de benefícios sociais e trabalhistas.
A cada reajuste, bilhões de reais circulam pela economia, influenciando o consumo das famílias, os custos das empresas e o equilíbrio das contas públicas. Nos últimos cinco anos, o salário mínimo acumulou ganhos reais, com aumentos acima da inflação, o que ajudou a preservar o poder de compra da população de menor renda.


