O programa Novo Desenrola Brasil já renegociou R$ 5,5 bilhões em dívidas desde o início da nova fase da iniciativa. Os dados foram divulgados pela Caixa Econômica Federal e mostram que os acordos fecharam com desconto médio de 79,3% sobre o valor devido.

Do total já renegociado, mais de R$ 3 bilhões correspondem ao Desenrola Fies, cerca de R$ 2 bilhões ao Desenrola Empresas, R$ 460,66 milhões ao Desenrola Famílias e aproximadamente R$ 3,5 milhões ao Desenrola Rural.
Os números foram divulgados em um momento em que o endividamento das famílias brasileiras continua em alta, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Desenrola Famílias oferece juros menores e descontos elevados
Entre as modalidades disponíveis, o Desenrola Famílias é voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos. A proposta é facilitar o pagamento de dívidas em atraso por meio de condições mais favoráveis.
O programa oferece juros de 1,99% ao mês, descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida e possibilidade de parcelamento entre 12 e 48 meses. As prestações começam em R$ 50. Podem ser renegociados contratos firmados até 31 de janeiro de 2026 que estejam com atraso entre 91 e 720 dias.
A expectativa é permitir que consumidores voltem a ter acesso ao crédito e consigam reorganizar o orçamento doméstico sem comprometer toda a renda mensal.
Fies concentra maior volume de renegociações
Entre todas as modalidades do Novo Desenrola, o Fies representa a maior parte dos acordos realizados até agora. Segundo a Caixa, mais de R$ 3 bilhões em contratos do financiamento estudantil já foram renegociados. Em seguida aparece o Desenrola Empresas, responsável por cerca de R$ 2 bilhões em acordos.
O Desenrola Famílias soma R$ 460,66 milhões em renegociações, enquanto o Desenrola Rural registra aproximadamente R$ 3,5 milhões. Os dados mostram que o programa alcança diferentes públicos, desde consumidores pessoas físicas até estudantes, empresários e produtores rurais.
Endividamento continua avançando no Brasil
Apesar do avanço das renegociações, os indicadores mostram que o número de famílias endividadas continua crescendo. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC, 81,6% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em maio de 2026.
O percentual representa aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao mês anterior e crescimento de 3,4 pontos percentuais na comparação com maio de 2025. Além do aumento no endividamento, também houve crescimento entre as famílias com contas em atraso.
Segundo a pesquisa, a taxa de inadimplência chegou a 29,9% em maio, avanço de 0,2 ponto percentual em relação a abril e de 0,4 ponto percentual na comparação anual.Os dados indicam que praticamente três em cada dez famílias brasileiras enfrentam dificuldades para manter os pagamentos em dia.
CNC espera desaceleração com nova fase do programa
As projeções da Confederação Nacional do Comércio apontam que o endividamento deve continuar crescendo nos próximos meses, acompanhado por um leve aumento das contas em atraso. Mesmo assim, a entidade avalia que o Novo Desenrola Brasil pode ajudar a reduzir a velocidade desse avanço.
Segundo a CNC, a nova versão do programa, lançada em maio deste ano, aumenta a expectativa de desaceleração dos indicadores de inadimplência, repetindo parte dos resultados observados na primeira edição do Desenrola, implementada em 2023.
Na avaliação da confederação, iniciativas que facilitam a renegociação de dívidas tendem a melhorar a capacidade de pagamento das famílias, aliviar o orçamento doméstico e permitir que parte dos consumidores volte ao mercado de crédito.
Programa busca aliviar orçamento dos brasileiros
O Novo Desenrola Brasil foi criado para ampliar as possibilidades de negociação de dívidas com condições mais acessíveis. Ao oferecer descontos elevados, juros reduzidos e prazos maiores para pagamento, o programa busca diminuir o peso das dívidas sobre o orçamento das famílias.
Até o momento, os R$ 5,5 bilhões renegociados mostram uma adesão significativa às diferentes modalidades disponíveis. O desconto médio de 79,3% também indica que muitos consumidores conseguiram reduzir de forma expressiva o valor necessário para quitar seus débitos.
Com o aumento do endividamento registrado ao longo de 2026, a expectativa é que novas renegociações continuem ocorrendo nos próximos meses, principalmente entre famílias que buscam reorganizar as finanças e recuperar o acesso ao crédito.


