Fazer as compras do mês está cada vez mais caro para os brasileiros. Um levantamento da consultoria dunnhumby, especializada no comportamento do consumidor, mostra que as famílias desembolsam, em média, R$ 1.073,98 por mês nos supermercados. O valor representa quase metade da renda estimada pela maior parte dos entrevistados e evidencia o impacto da inflação dos alimentos no orçamento doméstico.

Em vez de concentrar todas as compras em um único estabelecimento, os brasileiros passaram a pesquisar mais e dividir as despesas entre diferentes redes para encontrar promoções.
Essa mudança de comportamento acontece em um momento em que os alimentos continuam sendo um dos principais responsáveis pela pressão sobre o custo de vida. Embora o grupo alimentação e bebidas tenha registrado queda de 0,24% em junho, os preços ainda acumulam alta de 3,82% nos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país.
Brasileiros pesquisam mais para economizar
O estudo mostra que economizar virou prioridade, já que a maioria dos consumidores faz compras em até quatro supermercados diferentes ao longo do mês para conseguir preços mais baixos em cada categoria de produto.
Os supermercados tradicionais seguem como o principal destino dos brasileiros: 74% dos entrevistados afirmaram frequentar esse tipo de estabelecimento todos os meses. Logo atrás aparecem os atacarejos, escolhidos por 63% dos consumidores, principalmente por oferecerem preços considerados mais competitivos.
O comércio local também ganhou espaço. Feiras livres, hortifrutis e açougues são visitados mensalmente por 36% dos participantes da pesquisa, especialmente por quem procura alimentos frescos e, em alguns casos, preços mais acessíveis para frutas, verduras e carnes.
Esse cenário revela um consumidor mais atento às ofertas e disposto a percorrer diferentes lojas para reduzir o impacto das compras no orçamento familiar.
Pepino, cenoura e tomate lideram alta dos preços
Entre os produtos que mais pesaram no bolso dos brasileiros estão hortaliças bastante presentes no dia a dia. Segundo o levantamento, o pepino foi o alimento que mais encareceu nos últimos 12 meses, acumulando alta de 155,47%.
Na sequência aparecem a cenoura, que ficou 103,14% mais cara, e o tomate, cujo preço subiu 82,41% no mesmo período.
Além desses itens, frutas e feijão continuam entre os produtos que mais pressionam o orçamento das famílias. A menor oferta provocada por problemas climáticos e pela sazonalidade das lavouras reduziu a disponibilidade desses alimentos, contribuindo para a alta dos preços.
Esse cenário afeta principalmente as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento para a alimentação e têm menos margem para absorver novos aumentos.
Alimentação continua entre os maiores gastos das famílias
Mesmo com estratégias para economizar, como pesquisar preços e dividir as compras entre diferentes estabelecimentos, o supermercado continua ocupando uma fatia significativa da renda dos brasileiros.
O gasto médio superior a R$ 1 mil por mês mostra que a alimentação segue entre as principais despesas das famílias. Para muitos consumidores, a alternativa tem sido substituir produtos, reduzir quantidades ou aproveitar promoções para manter as contas em equilíbrio.
A pesquisa reforça que o comportamento do consumidor mudou diante da inflação dos alimentos. Mais do que buscar conveniência, os brasileiros estão priorizando economia e planejamento para enfrentar um cenário em que colocar comida na mesa continua exigindo um esforço cada vez maior.


