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Endividamento das famílias chega a 82% e bate recorde pelo 6º mês seguido

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O percentual de famílias brasileiras em situação de endividamento chegou a 82% em julho, o maior nível da série histórica pelo sexto mês consecutivo, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice aumentou 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e ficou 3,5 pontos acima do registrado em julho de 2025, de 78,5%.

O resultado mostra que mais famílias estão com algum tipo de dívida, como parcelas de compras, empréstimos ou outras contas a pagar.

Endividamento das famílias chega a 82% e bate recorde pelo 6º mês seguido
Os dados foram divulgados após os 90 dias do Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas | Foto: Reprodução / Canva

Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em julho, acima dos 84,7% registrados em junho e dos 81,2% de julho do ano passado. O grupo de menor renda concentrou a piora nos indicadores de atraso no período.

Mais renda comprometida com as dívidas

Além do aumento no número de famílias endividadas, cresceu a parcela de consumidores que compromete uma parte maior do dinheiro que recebem todos os meses para pagar dívidas.

Em julho, 19% das famílias tinham mais da metade da renda mensal comprometida com dívidas, o maior nível desde março de 2026. Entre os consumidores endividados, em média, 29,5% da renda mensal estava destinada ao pagamento dessas contas.

A situação preocupa porque, quanto maior a parte do salário usada para quitar dívidas, menor é o dinheiro disponível para outras despesas do mês, como alimentação, moradia, transporte e compras.

Mesmo com o avanço do endividamento, a parcela de famílias com contas em atraso apresentou uma pequena melhora. O índice de inadimplência caiu de 29,9% em junho para 29,8% em julho.

O tempo médio de atraso também recuou pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 64,6 dias. Foi o menor período registrado desde dezembro de 2025, quando a média havia ficado em 64,3 dias.

Entre os consumidores que estão inadimplentes, a parcela com contas atrasadas há mais de 90 dias caiu para 48,5%. Foi o menor percentual desde agosto de 2025.

Famílias de menor renda têm piora

O comportamento das dívidas foi diferente de acordo com a renda. Enquanto a inadimplência caiu entre as famílias que recebem mais de três salários mínimos, os consumidores de menor renda tiveram piora nos indicadores de atraso.

No grupo que recebe até três salários mínimos, além do aumento do endividamento para 84,9%, houve avanço nos indicadores de atraso entre junho e julho.

Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o levantamento apontou o maior aumento do endividamento no ano. Mesmo assim, esse grupo apresentou queda na inadimplência: o percentual de contas em atraso passou de 15,4% em junho para 15,1% em julho.

A pesquisa também mostrou uma mudança na forma como os consumidores avaliam o próprio nível de dívidas. Em julho, 35% disseram estar pouco endividados, contra 34,2% no mês anterior. Entre os que se consideram muito endividados, o percentual passou de 17,2% para 17,1%.

Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, a sequência de seis meses com novos recordes de endividamento traz impactos que podem ser sentidos no curto e no médio prazo, inclusive fora do comércio.

Segundo ele, existem sinais positivos relacionados ao pagamento de dívidas por meio do programa federal e ao aumento da renda e da ocupação. Ao mesmo tempo, os resultados indicam a necessidade de medidas que ajudem a aliviar o orçamento dos trabalhadores e contribuam para a melhora da atividade econômica.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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