A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo recorde em junho de 2026, quando mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O número mostra que o atraso no pagamento de compromissos continua avançando mesmo diante do início do ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic.
As dívidas acumuladas chegaram a R$ 232,9 bilhões no mês. Em média, cada negócio tinha 7,3 contas com falta de pagamento, com uma dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ. Considerando cada compromisso individualmente, o valor médio ficou em R$ 3.515,77.
Os pequenos negócios são os que mais sofrem com o problema. Micro e pequenas empresas somavam 8,6 milhões de CNPJs negativados, o equivalente à maior parte nessa situação.

Juros altos ainda pressionam as empresas
Embora a Selic tenha iniciado um ciclo de cortes, as condições para conseguir crédito continuam restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, dificultando a reorganização das contas de empresas que dependem de empréstimos ou de outras formas de financiamento para manter o funcionamento.
Segundo afirmou Camila Abdelmalack em nota, economista-chefe da Serasa Experian, a atividade econômica também começa a mostrar uma desaceleração mais evidente, o que pode reduzir o ritmo de geração de receitas justamente quando parte das companhias ainda tenta reorganizar suas dívidas e recuperar o fluxo de caixa.
Nesse ambiente, o custo para manter compromissos financeiros pode continuar pesando sobre o orçamento, principalmente aquelas que precisam de capital de giro para pagar fornecedores, funcionários e outras despesas enquanto aguardam o recebimento das vendas.
A própria composição das dívidas indica esse cenário. Serviços responderam por 31,6% dos compromissos em atraso, seguidos por bancos e cartões, com 19,5%. Na sequência apareceram cooperativas, com 8,4%, utilities, que incluem serviços como energia e água, com 6,9%, e telefonia, com 6%.
Para a Serasa Experian, parte das empresas continua recorrendo ao crédito para sustentar as atividades do dia a dia, e não necessariamente para ampliar os negócios. Com condições financeiras mais apertadas, reorganizar esses pagamentos pode se tornar mais difícil.
Serviços concentram inadimplência
Quando o recorte considera os setores das empresas negativadas, serviços aparecem novamente na liderança, representando 55,7% do total em junho. O comércio veio em seguida, com 32,2%, enquanto a indústria respondeu por 8%. O setor primário ficou com 0,9%.
No comércio, a participação entre inadimplentes caiu de 33,9% em junho de 2025 para 32,2% no mesmo mês deste ano. Já serviços passaram de 53,8% para 55,7% no período.
Entre as micro e pequenas empresas, a situação é ainda mais relevante pelo tamanho do grupo. Cada negócio negativado tinha, em média, 6,9 contas em atraso, com dívida média de R$ 23.181,56. O valor médio de cada compromisso ficou em R$ 3.370,47.
São Paulo concentra maior número de negativados
A distribuição regional acompanha a concentração de empresas no país. São Paulo liderou o ranking em junho, com 3.126.658 CNPJs inadimplentes, seguido por Minas Gerais, com 907.558, e Rio de Janeiro, que registrou 874.385.
Na sequência apareceram Paraná, com 601.986 nessa situação, e Rio Grande do Sul, com 527.555. Santa Catarina tinha 436.149 CNPJs negativados, enquanto Bahia registrou 332.416.
O levantamento considera inadimplente a empresa que possui pelo menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. A apuração leva em conta os registros existentes até o último dia do mês analisado.


