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A realidade dos trabalhadores de aplicativo no Brasil

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Trabalhadores de aplicativos enfrentam longas jornadas, muitas vezes superiores a 12 horas diárias

Nos últimos anos, o Brasil testemunhou um crescimento expressivo no número de trabalhadores de aplicativos, como motoristas de Uber, 99, entregadores do iFood, e outros autônomos que utilizam plataformas digitais. Esses profissionais se tornaram uma parte vital da economia urbana, oferecendo serviços que vão desde o transporte de pessoas até a entrega de alimentos e pacotes.

Trabalhadores entrega
Existem mais de 1,5 milhão de pesoas que atuam nas plataformas de entrega | Foto: Reprodução/Canva

Esse modelo de trabalho é frequentemente associado à flexibilidade e à autonomia, o que atrai muitos trabalhadores em busca de mais controle sobre suas rotinas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cerca de 1,5 milhão de pessoas atuam nessas plataformas no Brasil. 

Longa jornada para trabalhadores autônomos

A flexibilidade prometida é um ponto de destaque, mas muitos desses profissionais relatam desafios que vão além do controle de suas jornadas. Para obter uma renda satisfatória, é comum que esses trabalhadores tenham que trabalhar longas horas, com jornadas que frequentemente ultrapassam 12 horas diárias.

Em São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, o rendimento médio de um motorista gira em torno de R$ 6.500 por mês, segundo dados da StopClub. No entanto, as condições de remuneração têm sido alteradas ao longo do tempo, com as empresas ajustando suas comissões ou reduzindo os valores pagos por corrida ou entrega. Esse cenário faz com que os trabalhadores precisem aceitar um grande volume de pedidos para manter uma renda viável.

A ausência de vínculo formal com as plataformas garante maior liberdade e flexibilidade, mas por outro lado, sem carteira assinada, esses trabalhadores não têm acesso a benefícios trabalhistas tradicionais, como seguro-desemprego, férias remuneradas e previdência social. Além disso, os custos operacionais, como combustível e manutenção de veículos, são arcados inteiramente pelos trabalhadores.

O debate sobre a regulamentação desse tipo de trabalho no Brasil tem se intensificado, com movimentos sindicais e também com o Governo Federal buscando formas de tributar essas atividades. 

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Sobre o autor João Vitor Marliére

Graduando de jornalismo pela USCS, com passagens pela Editora Globo nos portais Inteligência Financeira e Valor Econômico

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