Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) revela que a média de mães entre as ocupações de maiores rendimentos, como médicos, diretores e gerentes, é de 23%, enquanto as mulheres, de forma geral, representam 38% nesses cargos.
A proporção de pais nesse grupo de ocupações chega a 33%, ao passo que a dos homens no geral é de 62%. O levantamento foi feito com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do quarto trimestre de 2023, último dado disponível.

A pesquisa conduzida por Janaina Feijó, especialista do FGV IBRE em questões de gênero e raça no mercado de trabalho, destaca os impactos da maternidade na vida profissional das mulheres.
O estudo revela que, entre as ocupações de menores rendimentos médios, 51% são ocupadas por mães, enquanto 74% são preenchidas por mulheres em geral. Já entre os pais, a ocupação nesses cargos é de apenas 14%, comparado a 26% dos homens em geral.
Feijó argumenta que, por serem as principais cuidadoras das crianças, as mães podem ser vistas por alguns empregadores como mais propensas a deixar o emprego para se dedicar à vida familiar ou reduzir sua carga horária em atividades remuneradas após o nascimento dos filhos.
Ela explica que esse fator aumenta a probabilidade de os empregadores promoverem trabalhadores homens a posições mais estratégicas dentro da empresa. Essas posições, geralmente, demandam maiores responsabilidades e jornadas de trabalho mais extensas.
Segundo a economista, o nascimento de um filho impacta de forma distinta as trajetórias de homens e mulheres no mercado de trabalho. Em sua pesquisa, Feijó cita evidências empíricas que mostram que, enquanto a maternidade gera uma “penalidade” (child penalty) para as mulheres em termos de participação e salários, a paternidade é vista com bons olhos pelos empregadores e pode, inclusive, aumentar os rendimentos dos homens (pay premium).


