No episódio mais recente do podcast Bilhões, o lado B da moeda, AD Júnior e Danilo Ribeiro mergulham na trajetória de Warren Buffett, o lendário investidor norte-americano que influenciou gerações com sua abordagem racional e paciente sobre o mercado financeiro.
O programa destaca como o “Oráculo de Omaha” construiu uma fortuna bilionária com uma filosofia baseada na simplicidade e na coerência e por que ela ainda faz sentido em um mundo dominado por especulação e promessas de lucros rápidos.

e analistas ao redor do mundo | Foto: Reprodução/NBC
Aos 93 anos, Buffett anunciou sua aposentadoria do comando da Berkshire Hathaway, conglomerado que administra desde 1965 e que se tornou uma das maiores empresas do mundo. Com um patrimônio pessoal de cerca de US$ 155 bilhões, o equivalente a R$ 850 bilhões segundo o câmbio de julho de 2025, Buffett é hoje o quinto homem mais rico do planeta, de acordo com o ranking da Forbes.
Nascido em Omaha, Nebraska, em 1930, Buffett comprou sua primeira ação aos 11 anos. Ainda adolescente, já declarava imposto de renda e entregava jornais para juntar dinheiro. Ele estudou na Universidade de Nebraska e concluiu seu mestrado na Columbia Business School, onde foi aluno de Benjamin Graham, referência em “value investing”, filosofia que defende a compra de ações de empresas com valor de mercado inferior ao seu valor real.
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Foi esse princípio que guiou a transformação da Berkshire Hathaway, de uma fábrica têxtil falida em um conglomerado de investimentos com participações duradouras em gigantes como Coca-Cola, American Express, Bank of America, Chevron e Occidental Petroleum. Em 2024, por exemplo, a fatia da Berkshire na Apple ultrapassava US$ 150 bilhões (cerca de R$ 823 bilhões), embora Buffett tenha começado a reduzir sua posição no fim do ano passado, prevendo uma desaceleração no desempenho da empresa, que de fato perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.
Buffett sempre enxergou a Apple mais como uma empresa de consumo do que de tecnologia, graças à fidelidade de seus usuários. Essa análise refinada de comportamento de mercado é um dos aspectos ressaltados no episódio do Bilhões, que também explora como sua estratégia de comprar e manter ações a longo prazo influenciou o mercado global.
A carteira atual da Berkshire revela essa coerência. A empresa detém aproximadamente 13% do Bank of America e 20% da American Express, dois investimentos mantidos há décadas. Mesmo com o avanço das energias renováveis, Buffett continua com bilhões aplicados em petróleo e gás, setores que, segundo ele, ainda apresentam bons retornos — o que justifica as grandes posições em Chevron e Occidental Petroleum.
Além da análise sobre investimentos, o episódio discute o lado humano do bilionário. Apesar da fortuna, Buffett vive na mesma casa desde os anos 1950 e mantém hábitos simples. Defende que investir é como “assistir a grama crescer” e critica a busca por ganhos fáceis. Sua visão é de que tempo, disciplina e informação são os principais aliados do investidor.
Segundo dados da Statista, mais de 65% dos norte-americanos investem regularmente. No Brasil, esse número é inferior a 2%, de acordo com a B3. A comparação evidencia a importância de figuras como Buffett para estimular uma cultura de educação financeira mais sólida e acessível.
Outro aspecto abordado pelo podcast é o compromisso filantrópico de Buffett. Ele já doou mais de US$ 50 bilhões ao longo da vida e anunciou que pretende doar 99,5% de sua fortuna. O restante será dividido entre seus filhos. Em valores de hoje, isso significa que mais de R$ 845 bilhões serão destinados a ações sociais, principalmente por meio das fundações Bill & Melinda Gates e Susan Thompson Buffett.
Como a influência de Buffett afeta o mercado?
A influência de Buffett no mercado é tamanha que qualquer movimentação em sua carteira é acompanhada por investidores e analistas ao redor do mundo. Sua postura conservadora e fundamentada contrasta com a volatilidade do mercado contemporâneo e inspira tanto pequenos investidores quanto grandes fundos de investimento.
No episódio, AD Júnior e Danilo Ribeiro também citam a biografia A Bola de Neve, de Alice Schroeder, e o podcast britânico Good Bad Billionaire, da BBC, que analisa o legado de grandes fortunas. Ambos reforçam que, mesmo com o avanço da tecnologia e das plataformas de investimentos, o que garante sucesso no longo prazo é o entendimento do negócio e a disciplina para manter a estratégia.
Ao se aposentar, Buffett deixa não só um império, mas também uma filosofia. E como mostra o podcast, talvez a lição mais importante do investidor mais respeitado do mundo seja a de que constância, paciência e ética continuam sendo os maiores diferenciais em um mercado que muda cada vez mais rápido.


