Nesta quarta-feira, 10 de setembro, é comemorado o Dia do Brigadeiro. O doce é um símbolo brasileiro, presente em quase todas as festas de aniversário e eventos sociais. Criado nos anos 1940 em homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes (que ocupava um posto militar de alta patente, na Força Aérea Brasileira – FAB), o doce conquistou o país e atualmente vai além da receita caseira tradicional.
O mercado de doces no Brasil é robusto: segundo dados da Euromonitor International, empresa de pesquisa de mercado, o segmento pode movimentar até R$ 12 bilhões por ano, inspirado justamente pelo consumo recorrente de brigadeiros e outras guloseimas.
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Microempreendedores apostam no brigadeiro
No cenário de pequenos negócios, muitos brasileiros transformam o brigadeiro em fonte de renda extra. A rede Brigaderia, por exemplo, foi criada a partir de um hobby e faturou mais de R$ 5 milhões antes mesmo de ser adquirida pela holding Cacau Par, do grupo Cacau Show, para expansão por franquias.
Em microescalas, a produção não exige grandes investimentos. Um brigadeiro gourmet feito em casa pode ter custo de produção em torno de R$ 0,55 a R$ 1,30 por unidade, dependendo dos ingredientes.
Gourmetização e valorização da cultura
A versão gourmet do brigadeiro utiliza ingredientes de alta qualidade — chocolates com maior percentual de cacau, recheios especiais e apresentações sofisticadas. Embora ainda represente cerca de 2% da produção nacional, esse segmento cresceu 20% em 2012, segundo dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados).
Esse caminho abriu espaço para empreendedores que agregam valor ao doce tradicional, atraindo público disposto a pagar mais por qualidade, apresentação e experiência.
Alto consumo, alta representatividade
O consumo per capita de chocolate no Brasil vem aumentando: nos últimos anos passou de 1,65 kg para 2,2 kg por pessoa, o que reflete diretamente na demanda por doces como o brigadeiro.
Essa tendência abre oportunidades de mercado: empreendimentos caseiros, delivery, encomendas corporativas e vendas em eventos são canais viáveis. Produtos como brigadeiro são versáteis e atingem diversos públicos, desde festas infantis até ocasiões sofisticadas.
Estrutura e lucro nos negócios
Mesmo para microempreendedores, a margem pode ser significativa. Por exemplo, considerando ingredientes com custo por unidade entre R$ 0,55 e R$ 1,30, vender brigadeiros gourmets a R$ 3 cada pode gerar uma margem de aproximadamente 130% no menor caso. Essa margem, multiplicada pelo volume de encomendas, pode resultar em faturamento relevante a curto prazo.
A Brigaderia, com faturamento superior a R$ 5 milhões, ilustra o potencial de crescimento para marcas bem posicionadas, especialmente quando apoiadas por franquias ou parcerias estratégicas com redes de varejo.
Fator social e informalidade
O brigadeiro é também parte da economia informal: elaborado em casa, vendido a amigos, vizinhos e em redes sociais, é opção para quem busca complementar a renda com flexibilidade.
Muitos brasileiros utilizam o doce como ponto de partida para empreender: o baixo custo de produção e liquidez virtual facilitam o início das operações.
Panorama geral do impacto econômico
O impacto do brigadeiro pode ser analisado a partir de diferentes frentes. O mercado total de doces no Brasil chega a movimentar cerca de R$ 12 bilhões por ano, de acordo com levantamento da Euromonitor International.
No consumo, a alta também se evidencia: cada brasileiro consome em média 2,2 quilos de chocolate por ano, número que influencia diretamente a produção do doce.
Esse cenário mostra como o brigadeiro, apesar de simples em sua origem, está inserido em uma cadeia que vai da indústria de chocolates até os microempreendedores individuais. A valorização do consumo, aliada à diversificação de modelos de negócio, reforça a relevância econômica desse doce no Brasil e ajuda a explicar por que ele permanece como um dos produtos mais emblemáticos tanto no aspecto cultural quanto no mercado de alimentos.


