O Instituto Global Attitude (IGA), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, está organizando nove festivais culturais gratuitos em diversos espaços da cidade ao longo do segundo semestre de 2025.
Entre as atrações estão o Festival Bateria Nota 10 da Várzea no Tendal da Lapa, o Concerto na Quebrada em 15 locais e o Festival de Circo, além de iniciativas como a Mostra Internacional de Artes Cênicas, a Viradinha para crianças, a Satyrianas 78 horas de arte, entre outras.
O Festival Bateria Nota 10 atraiu expectativa de público superior a 1.200 pessoas, celebrando a cultura de periferia com música, oficinas e rodas de conversa.
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Acesso à cultura como direito e desigualdade persistente
O acesso à cultura cresceu no Brasil: em 2023, 96% dos brasileiros participaram de alguma atividade cultural, presencial ou online, ante 89% em 2022, segundo pesquisa da Fundação Itaú com o Datafolha. O aumento foi expressivo em apresentações de música, dança e teatro, que passaram de 18% para 45% do público neste período.
Mesmo com esse avanço, o acesso ainda é desigual. O estudo Cultura nas Capitais indica que mais de um terço dos paulistanos nunca visitou um museu, e quase 40% nunca assistiu a uma peça teatral, revelando fragilidades no acesso cultural. Esses dados mostram que atividades gratuitas como festivais públicos são essenciais para tornar a cultura acessível a todos.
Impacto social e econômico dos festivais gratuitos
Embora gratuitos ao público, esses eventos geram impacto econômico significativo. Produção, montagem, logística, equipe técnica, alimentação e segurança envolvem diversos profissionais e serviços locais, gerando circulação de recursos na economia da cultura. A cultura gratuita ainda facilita o envolvimento de públicos que, de outra forma, enfrentam barreiras financeiras ou sociais para participar.
Além disso, o aumento da participação em eventos presenciais reforça a retomada pós-pandemia da economia criativa. A Fundação Itaú destaca que 45% das pessoas assistiram a apresentações ao vivo em 2023, ante 18% em 2022.
Cultura para todos: transição digital e presencial
As atividades culturais gratuitas são estratégicas para corrigir distorções de acesso. A pesquisa da Fundação Itaú evidencia que apenas 20% dos brasileiros participam exclusivamente de cultura gratuita, percentual que sobe para 36% das classes D/E, enquanto 39% fazem mais atividades gratuitas do que pagas.
Esses eventos também respondem a realidades de renda e escolaridade: nas classes D/E, há maior participação presencial, especialmente em atividades gratuitas, associadas a bem-estar, aprendizado e inclusão.
Apesar da intensa programação gratuita, pesquisas mostram que o acesso ainda é geograficamente desigual. Na capital paulista, a presença de atividades culturais em CEUs e praças aparece entre as mais comuns, mas ainda há demanda reprimida em regiões periféricas e municípios menores


