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Saulo Fernandes lota show em SP e mostra como o axé movimenta turismo, cultura e economia

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O cantor Saulo Fernandes se apresentou no último dia 28 de setembro, no Varanda Estaiada, em São Paulo, com mais uma edição do projeto “Saulo, Som e Sol”, evento que mistura música, cultura e identidade em um formato de experiência. A apresentação, com ingressos esgotados, reuniu um público diverso e celebrou o início do verão paulistano ao som de clássicos do axé e sucessos da carreira solo do cantor.

Além de uma apresentação musical, o show de Saulo foi também um exemplo de como a música baiana se tornou um motor econômico e turístico poderoso, com impacto direto em setores como eventos, gastronomia e hospedagem.

A música baiana vai além do entretenimento: shows como o de Saulo geram impacto econômico direto e indireto
A música baiana vai além do entretenimento: shows como o de Saulo geram impacto econômico direto e indireto, reforçando o axé como um motor de turismo e cultura, setor que contribui para cerca de 3% do PIB brasileiro | Foto: Monique Caroline/Super Finanças

Axé: de ritmo cultural a economia que gera bilhões

Criado nas ruas de Salvador nos anos 1980, o axé nasceu da mistura de ritmos africanos, como o samba-reggae e o ijexá, com frevo e a música pop, impulsionado pelos carnavais e pelos trios elétricos. Hoje, ele é uma das engrenagens mais importantes da economia da Bahia e um produto de exportação cultural do Brasil.

Segundo dados do Governo da Bahia, o Carnaval de Salvador de 2025, principal vitrine do gênero, movimentou cerca de R$ 1,8 bilhão, com a geração de mais de 200 mil empregos diretos e indiretos e injetou R$ 7 bilhões em toda a Bahia. Os números não param por aí: o turismo musical e os eventos ligados ao axé ajudam a manter ativa uma extensa cadeia produtiva que vai desde técnicos de som e iluminação até profissionais de gastronomia e transporte.

Eventos como o “Saulo, Som e Sol” reproduzem esse ecossistema em menor escala. Cada show do projeto envolve dezenas de fornecedores e movimenta hotéis, restaurantes e empresas de produção cultural nas cidades por onde passa.

A força econômica de um artista baiano

Nascido em Barreiras (BA), em 1977, Saulo Fernandes é hoje um dos principais nomes da música baiana. Depois de uma década à frente da Banda Eva, consolidou sua carreira solo e passou a investir em experiências musicais que misturam cultura, natureza e conexão com o público.

Em São Paulo, o show no Varanda Estaiada teve ingressos esgotados e um público diverso, formado por fãs de diferentes regiões do país. Além do impacto direto na bilheteria, a presença do artista gerou visibilidade para o espaço, que conta com uma vista privilegiada da Ponte Estaiada, um dos cartões-postais da cidade.

Ao som do axé e sob o pôr do sol, Saulo Fernandes celebra a música baiana
O show esgotado celebra o axé e movimenta toda a cadeia econômica local, incluindo bilheteria, gastronomia, hospedagem e produção cultural | Foto: Monique Caroline/Super Finanças

Segundo levantamento publicado em setembro de 2025, a Associação Brasileira de Promotores de Eventos (ABRAPE) aponta que o setor de cultura e entretenimento atingiu R$ 91,49 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, com crescimento de 3,8% em relação a 2024. Dentro desse cenário, o axé e a música baiana têm papel importante por manterem um público fiel e um calendário de eventos ativos durante todo o ano.

Cultura que impulsiona turismo e identidade

Para além dos números, Saulo representa uma força simbólica e econômica: a capacidade da Bahia de transformar cultura em desenvolvimento. Projetos como “Saulo, Som e Sol” ajudam a descentralizar o axé, levando a música tradicional do estado para outros lugares, conectando o público à cultura nordestina.

O show em São Paulo reforçou o que muitos economistas e gestores culturais já apontam: a cultura é parte da economia. Segundo o Observatório da Economia Criativa da Bahia, o setor cultural e criativo representa cerca de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, e a música é uma das principais engrenagens desse movimento. Cada show, bloco ou festival movimenta uma cadeia de serviços que envolve som, hospedagem, alimentação, transporte e comércio local.

Mais do que entretenimento, o axé se consolida como um ativo econômico que gera renda, fomenta o turismo e impulsiona pequenos negócios. Em torno dele, há toda uma estrutura que transforma o ritmo baiano em produto, experiência e identidade, um reflexo da força que a cultura tem no desenvolvimento do país.

Sobre o autor Monique Caroline

Trabalha com produção de TV desde 2017 e jornalismo comunitário desde 2018, quando se formou em Práticas Jornalísticas nas Periferias. Pós-graduada em Experiências Digitais e coordenadora de conteúdo do Super Finanças

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