O Grande Prêmio (GP) de São Paulo de Fórmula 1, realizado neste fim de semana em Interlagos, é mais do que um espetáculo automobilístico. O evento movimenta a economia paulista e nacional, com impacto estimado em R$ 2 bilhões, segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris). Essa quantia inclui receitas geradas pelo turismo, serviços, hotelaria, transporte, alimentação e acordos comerciais firmados durante os dias de corrida.
Desde as primeiras horas de sexta-feira, 7 de novembro, o autódromo e seus arredores concentraram a atenção de fãs, executivos e marcas. A edição deste ano é marcada pelo retorno de um piloto brasileiro ao grid: Gabriel Bortoleto, de 19 anos, que faz sua estreia pela equipe Sauber. A presença do jovem piloto ampliou o interesse do público e do mercado, reforçando o papel simbólico do Brasil na Fórmula 1.
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Investimento público e impacto direto
Desde 2021, a Prefeitura de São Paulo vem executando um programa de modernização em Interlagos, que já soma mais de R$ 500 milhões em investimentos públicos. O projeto inclui reformas estruturais, melhorias de acesso e modernização de áreas de hospitalidade, com o objetivo de consolidar o GP como um evento global de negócios e entretenimento.
De acordo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o circuito é hoje uma das arenas esportivas mais requisitadas do país. “As pessoas querem estar em Interlagos. Não temos mais agenda disponível para eventos, tamanha é a procura”, afirmou o prefeito durante visita do CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, que elogiou os avanços estruturais e destacou o potencial de crescimento do evento no Brasil.
O negócio da Fórmula 1
Por trás do glamour das arquibancadas e do ronco dos motores, o GP é também uma plataforma de negócios e relacionamento corporativo. A vice-presidente da FIA para a América do Sul, Fabiana Ecclestone, explica que o evento movimenta acordos milionários entre empresas, governos e patrocinadores. “Muitos contratos de longo prazo nascem aqui. Um camarote pode se transformar em um escritório de negócios durante o fim de semana”, afirmou em entrevista à Forbes Brasil.
Com uma trajetória de 25 anos dedicada ao automobilismo, Fabiana lidera programas voltados à inclusão, formação técnica e diversidade no esporte. Sob sua gestão, a FIA desenvolveu iniciativas como o Girls on Track, que incentiva a participação de meninas em diferentes áreas do automobilismo.
Marcas, turismo e empregos
O impacto do GP não se limita ao autódromo. A cidade de São Paulo registra aumento expressivo na taxa de ocupação hoteleira, que supera 90% durante o período da corrida, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-SP). Restaurantes e aplicativos de transporte também reportam crescimento de até 40% na demanda.
O turismo esportivo tem se mostrado um vetor de geração de renda e trabalho. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), eventos internacionais desse porte ajudam a movimentar setores informais, desde ambulantes que vendem lembranças e alimentos até motoristas por aplicativo e guias turísticos.
Em 2024, a SPTuris estimou que cerca de 260 mil pessoas circularam pelo entorno de Interlagos durante o fim de semana do GP. Para este ano, a expectativa é de um público ainda maior, impulsionado pela presença do piloto brasileiro.
A presença de Bortoleto e o simbolismo do retorno brasileiro
A estreia de Gabriel Bortoleto, campeão da Fórmula 3 em 2023, marca o retorno do Brasil ao grid após oito anos. O último brasileiro a disputar uma prova de Fórmula 1 em casa havia sido Felipe Massa, em 2017.
Para especialistas, a presença de um piloto nacional tem peso simbólico e econômico. “Um competidor local desperta o interesse das marcas e aproxima o público. Isso movimenta desde o setor de hospitalidade até as transmissões e o consumo de produtos licenciados”, destacou Ecclestone.
O retorno de um representante brasileiro também reforça a imagem do país como polo de formação de talentos no automobilismo, ampliando o interesse de patrocinadores e investidores.
Tecnologia, inclusão e novos negócios
Além do entretenimento, o GP de São Paulo se consolida como vitrine tecnológica e comercial. Empresas do setor automotivo, energético e digital aproveitam o evento para lançar produtos e testar soluções sustentáveis, como o uso de biocombustíveis e tecnologias de eficiência energética.
Fabiana Ecclestone, que também atua como empresária, produz em Amparo (SP) o Celebrity Coffee, marca de cafés especiais servida no Paddock Club da Fórmula 1. O exemplo mostra como o evento se torna vitrine para empreendedores e pequenos produtores brasileiros, conectando negócios locais a uma audiência internacional.
Ação na pista e expectativa
Na pista, o destaque ficou para Lando Norris, da McLaren, que liderou os treinos livres e a classificação da corrida sprint. O italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, garantiu a segunda posição, enquanto Oscar Piastri completou o top 3.
O tricampeão mundial Max Verstappen, da Red Bull, parte da sexta colocação. Já Gabriel Bortoleto encerrou a sexta-feira na 14ª posição na classificação da sprint, mas foi o quinto mais rápido no treino livre, animando o público nas arquibancadas.


