O Museu Grévin, em Paris, inaugurou uma estátua de cera da princesa Diana cerca de três décadas após a interrupção do projeto original. A obra havia começado a ser planejada em 1996, segundo informou a Reuters, mas sua produção foi suspensa em 1997, quando a princesa morreu aos 36 anos em um acidente de carro na capital francesa. A retomada do trabalho ocorreu após anos de pedidos de visitantes, de acordo com o diretor-geral do museu, Yves Delhommeau.
A princesa Diana, conhecida mundialmente por seu engajamento social, especialmente nas causas ligadas ao combate à AIDS e ao apoio às vítimas de minas terrestres, morreu em 31 de agosto de 1997. O acidente aconteceu em um túnel em Paris, enquanto ela e o empresário Dodi al-Fayed eram perseguidos por paparazzi. O caso teve forte repercussão internacional e marcou gerações devido à popularidade da princesa, que era frequentemente chamada de “Princesa do Povo”.
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Projeto foi adiado após a morte da princesa
O diretor-geral do Grévin afirmou que o museu chegou a planejar um encontro com Diana em 1996 para coletar medidas e referências, como é praxe na produção das obras. No entanto, a morte repentina da princesa fez com que o projeto fosse interrompido. Delhommeau conta a Reauters que, ao longo dos anos, o museu recebeu inúmeros pedidos para homenagear a figura pública britânica, o que motivou a retomada.
Segundo ele, a decisão de concluir a estátua agora foi considerada “óbvia”, diante da demanda do público e da relevância histórica e cultural da princesa. O museu, que é conhecido por retratar personalidades de diferentes áreas, precisou adaptar seu método tradicional para viabilizar a escultura, já que não foi possível trabalhar com medidas oficiais da própria Diana.
Equipe usou fotos e modelo com medidas semelhantes
Diferentemente do processo habitual, que envolve encontros presenciais com as celebridades retratadas, a equipe do Grévin baseou a escultura em registros fotográficos e em uma modelo com medidas corporais semelhantes às de Diana. O trabalho levou mais de um ano para ser finalizado, segundo a direção do museu. A técnica foi necessária porque Diana não pôde ser medida pessoalmente, como ocorre nas produções contemporâneas.
A opção pela estética da obra também exigiu pesquisas detalhadas. O museu buscou representar a princesa com um aspecto considerado “radiante”, expressão usada por Delhommeau à Reuters. A ideia era diferenciar a homenagem daquela exibida no Museu Madame Tussauds, em Londres, outra instituição tradicional no segmento de esculturas de cera.
Vestido icônico de 1994 foi escolhido para a obra
A direção do Grévin optou por vestir a estátua com o vestido preto de coquetel usado pela princesa em 1994. O traje ficou marcado por ter sido escolhido na mesma noite em que o então príncipe Charles admitiu publicamente ter cometido adultério. A roupa se tornou um dos símbolos mais comentados da trajetória pública de Diana e é frequentemente referenciada pela mídia internacional.
A utilização do vestido reforça o objetivo do museu de rememorar momentos importantes da vida pública da princesa, respeitando sua imagem histórica e o significado cultural associado à figura de Diana no Reino Unido e no mundo.
Rei Charles e Donald Trump também têm estátuas no museu
Além da homenagem à princesa, o Museu Grévin possui outras esculturas relacionadas à família real britânica e a figuras da política mundial. Uma estátua de cera do rei Charles está em exposição em outra sala, ao lado da obra que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essas peças fazem parte do acervo permanente da instituição, que inclui personalidades de diferentes áreas e nacionalidades.
A inauguração da escultura de Diana integra o conjunto de atualizações do museu, que frequentemente revisa e amplia seu acervo para acompanhar a demanda do público e as transformações culturais. A instituição não divulgou valores relacionados à produção da obra, prática comum em museus de cera devido ao alto custo técnico envolvido na fabricação.
Movimentação econômica do Museu Grévin
O Museu Grévin, é um dos pontos turísticos privados mais antigos e visitados de Paris. Antes da pandemia, a instituição recebia em média 700 mil visitantes por ano, número confirmado pelo relatório anual do grupo Compagnie des Alpes, responsável pelo museu. Considerando o preço médio do ingresso de 18 euros (aproximadamente R$ 108), a receita anual oriunda de bilheteria chegava a cerca de 12,6 milhões de euros, o equivalente a R$ 75,6 milhões. Esses resultados colocam o Grévin entre os principais museus pagos da capital francesa no segmento de entretenimento turístico.
O impacto econômico vai além da bilheteria. Segundo balanços divulgados pela Compagnie des Alpes, mais de 40% das receitas do Grévin vêm de atividades complementares, como loja oficial, licenciamento de imagem e eventos privados. Somados, esses segmentos representam entre 8 milhões e 10 milhões de euros por ano (de R$ 48 milhões a R$ 60 milhões), reforçando o modelo de negócios sustentado pela venda de produtos temáticos e pela forte presença da instituição na economia criativa francesa. A chegada de novas figuras ao acervo, como a estátua da princesa Diana, tende a ampliar essa movimentação por estimular a compra de souvenires e aumentar o fluxo turístico de curto prazo.
O museu também integra a cadeia de empregos do setor cultural parisiense, empregando diretamente cerca de 120 profissionais, segundo dados públicos do grupo administrador. Em períodos de alto fluxo, especialmente na primavera e no verão europeus, esse número pode crescer com contratações temporárias para atendimento, manutenção técnica e operações de bilheteria. No total, o Grévin contribui com dezenas de milhões de euros anuais para a economia local, ao atrair visitantes que também gastam em transporte, restaurantes e comércio da região. A inauguração da estátua de Diana, uma figura global com apelo intergeracional, deve gerar um pico adicional de visitantes, reforçando o papel econômico do museu no turismo de Paris


