A cultura nunca esteve tão presente no mercado de trabalho brasileiro. Em 2024, quase 6 milhões de pessoas trabalharam em atividades ligadas ao setor cultural, o maior número já registrado desde o início da série histórica, em 2014.
Os dados fazem parte do Sistema de Informações e Indicadores Culturais – 2013 a 2024, divulgado na última sexta-feira, 12 de dezembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IBGE é o órgão responsável por produzir estatísticas oficiais sobre a população, o trabalho e a economia brasileira.

A cada 100 pessoas que trabalham no país, quase seis atuam em atividades culturais. Essa proporção é a mesma registrada em 2023, mas está no nível mais alto desde que a pesquisa começou.
Trabalhadores da cultura têm mais escolaridade
Um dos pontos que mais chamam atenção nos dados é o nível de escolaridade dos trabalhadores da cultura. Em 2024, considerando todos os trabalhadores do país, 23,4% tinham ensino superior completo. No setor cultural, esse percentual foi maior: 30,1%, concentrando mais profissionais com formação universitária do que a média do mercado de trabalho.
Esse perfil está relacionado à própria natureza das atividades culturais, que muitas vezes exigem conhecimento técnico, formação artística ou qualificação específica, como ocorre em áreas de produção cultural, comunicação, artes visuais, música e audiovisual.
Estados e capitais com mais empregos na cultura
A presença do setor cultural não é igual em todo o país. Em 2024, São Paulo liderou entre os estados, com 7,6% da população ocupada trabalhando na cultura. Em seguida apareceram Rio de Janeiro (7%) e Ceará (7%).
Por outro lado, alguns estados apresentaram participação bem menor do setor cultural no mercado de trabalho. Os menores percentuais foram registrados no Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2%).
Quando o olhar se volta para as capitais, os números são ainda mais expressivos. Florianópolis teve o maior destaque em 2024, com 10,7% dos trabalhadores atuando no setor. Logo depois vieram São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%). Esses dados mostram que as capitais costumam concentrar mais atividades culturais, como eventos, produções artísticas, empresas criativas e espaços culturais.
Informalidade ainda é um desafio na cultura
Apesar de contar com trabalhadores mais escolarizados, o setor cultural enfrenta um problema importante de informalidade, com profissionais sem carteira assinada, sem contrato formal ou sem garantias trabalhistas, como férias, décimo terceiro salário e contribuição regular para a aposentadoria.
Em 2024, 44,6% das pessoas que trabalhavam na cultura estavam em situação informal. Esse percentual é maior do que o observado entre todos os trabalhadores do país, que foi de 40,6%.
Em alguns estados, a informalidade no setor cultural é ainda mais alta. Roraima (76,9%), Pará (74,1%) e Tocantins (71,5%) apresentaram os maiores índices. Já os menores percentuais de informalidade foram registrados em Santa Catarina (30%), Rio Grande do Sul (32,6%) e Paraná (33,2%).
Outro dado importante é a forma de ocupação. O trabalho por conta própria é o mais comum no setor cultural. Em 2024, 43% dos trabalhadores da cultura estavam nessa condição. Em comparação, entre todos os trabalhadores do país, os conta própria representavam 25,2%.
Rendimento cai e desigualdade entre homens e mulheres continua
Em 2024, o rendimento médio mensal foi de R$ 3.266. Esse valor é uma média e considera o ganho principal do trabalhador. Em 2023, o rendimento havia sido de R$ 3.331, o que representa uma queda de 2%, já considerando a inflação, que mede o aumento dos preços.
Os resultados variaram entre as regiões e houve queda nos rendimentos nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Já as regiões Nordeste e Sul registraram aumento nos ganhos. A pesquisa também revelou uma diferença significativa entre homens e mulheres. Em 2024, as mulheres que trabalhavam no setor cultural receberam, em média, R$ 2.560, enquanto os homens ganharam R$ 3.898. A diferença é de cerca de 34%, maior do que a desigualdade observada no mercado de trabalho em geral.
Os números mostram que, apesar da cultura empregar milhões de brasileiros, o setor ainda enfrenta desafios importantes, como informalidade, queda de renda e desigualdade salarial.


