Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a indústria cervejeira brasileira aposta no torneio para recuperar parte das perdas registradas em 2025. O aumento das reuniões entre amigos e familiares, o crescimento do consumo em bares e restaurantes e o maior volume de jogos da história do Mundial alimentam a expectativa de um ciclo positivo para fabricantes, distribuidores e o varejo de bebidas.
Em 2025, o mercado brasileiro de cerveja registrou queda de 5,1% nas vendas, totalizando 14,75 bilhões de litros comercializados. O recuo ocorreu em meio ao enfraquecimento do consumo das famílias, inflação persistente e redução do poder de compra dos consumidores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também apontaram retração de 4,7% na produção de bebidas alcoólicas no período.
Apesar do cenário desafiador, o Brasil continua sendo um dos maiores mercados cervejeiros do mundo. Segundo dados do setor, o país possui 1.949 cervejarias registradas e mais de 43 mil rótulos cadastrados, demonstrando a força e a diversidade da indústria nacional.
Além disso, a cadeia cervejeira responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, considerando atividades que vão desde a produção agrícola até a comercialização final.
Copa de 2026 será a maior da história
A expectativa do setor está diretamente ligada ao formato inédito da Copa do Mundo de 2026. O torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, contra 32 equipes e 64 jogos na edição anterior.
Estudo do banco Jefferies estima que o Mundial poderá gerar o consumo adicional de cerca de 568 milhões de litros de cerveja, e representa um incremento de 0,3% nas vendas globais da indústria cervejeira durante os dias de competição
O impacto é considerado especialmente relevante porque ocorre em um momento em que a indústria mundial enfrenta desafios como:
- Mudança de hábitos de consumo;
- Crescimento das bebidas sem álcool;
- Pressão inflacionária;
- Custos elevados de produção;
- Queda do consumo entre os públicos mais jovens.

Brasileiro pretende gastar mais com bebidas durante o Mundial
Pesquisas de consumo indicam que a Copa deve estimular significativamente os gastos dos brasileiros.
Levantamento realizado pela Neogrid e Opinion Box mostrou que 51% dos brasileiros pretendem gastar mais com alimentos e bebidas durante o torneio, impulsionados por confraternizações e encontros para assistir aos jogos.
Já a pesquisa MindMiners revelou que:
- 76% dos brasileiros afirmam que a Copa influencia seus hábitos de consumo;
- 75% colocam a cerveja entre os principais itens da lista de compras para o período;
- 57% pretendem assistir às partidas em casa com familiares e amigos.
Bares, restaurantes e delivery também devem ganhar
O setor de alimentação fora do lar aparece entre os principais beneficiados.
Analistas apontam que eventos esportivos criam novas oportunidades de consumo em bares, restaurantes e serviços de delivery, ampliando o fluxo de clientes e elevando a demanda por bebidas.
O movimento já começou a ser observado em pesquisas de varejo. Levantamentos indicam aumento de até 18,8% no fluxo de consumidores em estabelecimentos comerciais nos períodos que antecedem os jogos.
Impacto econômico pode ir além das cervejarias
O efeito positivo da Copa sobre o consumo de cerveja tende a beneficiar diversos segmentos da economia brasileira.
Entre os setores potencialmente favorecidos estão:
- Bares e restaurantes;
- Supermercados e grandes redes de varejo alimentar;
- Distribuidores de bebidas;
- Empresas de logística;
- Fabricantes de embalagens;
- Indústria de alumínio;
- Setor de eventos;
- Aplicativos de entrega.
O fortalecimento dessas atividades pode contribuir para a geração de empregos temporários, aumento da arrecadação tributária e maior circulação de recursos nas economias locais durante o período do torneio.