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Eliminação do Brasil na Copa faz vendas de camisas despencarem e muda planos do comércio

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A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não afetou apenas os torcedores, mas também mudou os planos de muitos comerciantes que apostaram em uma campanha mais longa do Brasil para vender camisas da Seleção e outros produtos ligados à Copa.

Nas redes sociais, lojistas passaram a publicar vídeos mostrando pilhas de camisas que ficaram paradas nas prateleiras depois da derrota para a Noruega. Muitos relatam que esperavam vender boa parte do estoque até, pelo menos, as quartas de final. Com a saída precoce da equipe, a procura caiu de forma drástica.

A estratégia é guardar parte das peças para outras datas em que as cores verde e amarela costumam ganhar destaque | Foto: Reprodução/Divulgação/Beatriz Carvalho/Shopping Nova América

Camisas estavam entre os produtos mais procurados

Antes do início do Mundial, a expectativa do comércio era positiva. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil estimava que cerca de 99,2 milhões de brasileiros fariam compras relacionadas à Copa.

O levantamento apontava que 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o torneio. O gasto extra médio previsto era de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B.

Entre os itens mais procurados estavam justamente as camisas, roupas e uniformes ligados à Seleção Brasileira ou à Copa. Esse segmento aparecia nos planos de 61% dos consumidores que pretendiam fazer compras durante o torneio.

Além disso, 47% afirmavam que pretendiam adquirir produtos oficiais, principalmente pela percepção de maior qualidade e durabilidade.

Esse tipo de venda costuma acompanhar o desempenho da Seleção. Quanto mais tempo o Brasil permanece na disputa, maior tende a ser o interesse por camisas, bandeiras, bonés, acessórios e artigos para torcida. Com a eliminação, esse movimento perde força e o comércio precisa buscar alternativas para evitar que o estoque fique parado.

Consumo continua, mas muda de foco

A saída do Brasil não significa o fim das oportunidades para o varejo. O que muda é o perfil das compras. Produtos diretamente ligados à Seleção devem perder espaço, enquanto alimentos, bebidas e serviços ligados aos jogos decisivos ainda podem movimentar consumidores que continuam acompanhando a Copa.

Segundo a pesquisa, 68% dos entrevistados pretendiam comprar bebidas não alcoólicas, 62% planejavam adquirir petiscos, 60% itens para churrasco e 59% cervejas durante o torneio.

Os supermercados continuam entre os principais beneficiados desse consumo. O levantamento mostrava que 70% dos consumidores pretendiam fazer compras nesses estabelecimentos durante a competição.

O delivery também segue com potencial. Entre os serviços mais procurados para a Copa, a entrega de comida e bebidas aparecia na liderança, com intenção de uso de 61% dos entrevistados.

Já bares e restaurantes precisam adaptar rapidamente a estratégia. Com o Brasil fora da disputa, o apelo da torcida perde força. A alternativa passa a ser investir na experiência de assistir aos jogos, com telões, promoções, cardápios especiais e encontros entre amigos para acompanhar as semifinais e a final.

A pesquisa indicava ainda que 39% dos consumidores planejavam frequentar bares e restaurantes durante o Mundial. Na escolha do local, fatores como preço das refeições, qualidade dos alimentos, valor das bebidas e ambiente agradável aparecem entre os principais critérios.

Menos impulso nas compras

A eliminação também reduz um comportamento comum durante grandes competições: as compras feitas a cada nova partida da Seleção.

Cada jogo do Brasil costumava gerar uma nova oportunidade de consumo, seja para comprar alimentos, bebidas ou até mais uma camisa. Sem novos compromissos da equipe, parte desses gastos deixa de acontecer.

Segundo o levantamento, 44% dos consumidores costumavam antecipar compras até uma semana antes das partidas para aproveitar promoções e evitar falta de produtos.

Outro dado chama atenção para o impacto no orçamento das famílias. A pesquisa mostrava que 27% dos consumidores pretendiam usar o limite do cartão de crédito ou o cheque especial para bancar gastos extras durante a Copa.

Com menos partidas da Seleção, parte dessas despesas pode simplesmente deixar de acontecer, reduzindo compras por impulso e evitando novos compromissos financeiros para algumas famílias.

Para o comércio, o desafio agora é reagir rapidamente. Promoções para vender as camisas, liquidações de produtos temáticos e ações voltadas para os jogos restantes podem ajudar a reduzir perdas e aproveitar o interesse que ainda existe pela reta final da Copa, mesmo sem o Brasil em campo.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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