Comunidades, quilombos, museus comunitários, centros culturais e outras iniciativas que preservam a memória e a herança africana no Brasil já podem se inscrever na Rede Memória Viva, projeto que vai selecionar quatro territórios para receber apoio e participar de uma rede nacional voltada ao fortalecimento da cultura, da memória e do afroturismo.
As inscrições começam nesta segunda-feira, 3 de agosto, e seguem até 3 de outubro, pela plataforma Prosas. Além de escolher quatro iniciativas para o projeto-piloto, a ação também fará um mapeamento nacional de experiências que ajudam a manter viva a história e a cultura afro-brasileira.

Quem pode participar da Rede Memória Viva?
O edital é voltado para territórios e iniciativas que atuam na preservação da herança africana no Brasil. Podem participar quilombos, comunidades tradicionais, museus comunitários, centros culturais, roteiros de memória, organizações da sociedade civil e outros espaços que desenvolvam ações ligadas à valorização da história, da cultura e das tradições afro-brasileiras.
Além da seleção dos quatro territórios que integrarão o projeto-piloto, todas as iniciativas inscritas poderão contribuir para um levantamento nacional que pretende identificar experiências de preservação da memória negra em diferentes estados.
Segundo os organizadores, esse mapeamento servirá para dar mais visibilidade a projetos que, muitas vezes, desempenham um papel importante em suas comunidades, mas ainda enfrentam dificuldades para conseguir reconhecimento e apoio.
O que os territórios selecionados vão receber?
As quatro iniciativas escolhidas passarão por um processo de fortalecimento institucional, com atividades voltadas ao desenvolvimento de projetos e à ampliação de suas ações. O programa prevê formações, apoio para estruturar iniciativas locais e estratégias ligadas ao turismo de base comunitária, à economia da cultura e ao afroturismo.
A expectativa é que os participantes ampliem sua capacidade de atuação e tenham mais oportunidades para atrair investimentos e desenvolver ações voltadas à preservação da memória afro-brasileira.
De acordo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, a iniciativa busca fortalecer organizações locais e gerar impacto social por meio da cultura, da memória e do turismo.
Projeto quer criar uma rede nacional de preservação da memória negra
A Rede Memória Viva faz parte das ações do Consórcio Viva Pequena África, formado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, pela Diaspora.Black e pela Feira Preta, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Mais do que selecionar quatro territórios, a proposta é criar uma agenda permanente de valorização dos espaços que preservam a memória afro-brasileira.
Segundo Antonio Pita, diretor do Viva Pequena África e fundador da Diaspora.Black, o objetivo é incentivar a articulação entre esses territórios sem que eles percam suas características e sua identidade durante o processo de desenvolvimento.
Como fazer a inscrição?
As inscrições ficam abertas até 3 de outubro de 2026 e devem ser feitas pela plataforma Prosas. O resultado da seleção está previsto para 22 de outubro, enquanto as atividades da Rede Memória Viva devem começar em 29 de outubro. As ações escolhidas serão apresentadas durante a III Conferência Global de Afroturismo, marcada para acontecer entre 27 e 29 de novembro de 2026.
O edital completo, o cronograma e todas as orientações para participar estão disponíveis no site oficial da iniciativa.


