A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) lançou m relatório que reúne mais de 340 projetos espalhados pelo Brasil o “Mapa de Iniciativas de Educação Financeira”.
Com foco na educação financeira da população, o levantamento é considerado o mais abrangente já feito sobre o tema no país, com um diagnóstico detalhado de ações desenvolvidas por escolas, instituições públicas, ONGs, universidades, empresas e cooperativas.
Segundo o documento, foram identificadas 229 ações ativas neste ano, uma queda em relação aos anos anteriores: 526 em 2017 e 317 em 2013. Apesar da diminuição no total de projetos, o impacto de cada iniciativa se ampliou: 29% delas alcançaram mais de 10 mil pessoas em 2024, ante 9,3% em 2017 e 20% em 2013.

Além do maior alcance, o relatório também aponta um avanço na diversificação de formatos, maior uso da internet e aumento da gratuidade das ações. Os dados mostram que a educação financeira vem se adaptando aos novos meios de comunicação e alcançando públicos mais amplos.
Redes sociais ganham protagonismo
A digitalização das ações educacionais se tornou um destaque da edição. Segundo a ANBIMA, 62% das iniciativas de 2024 ocorreram nas redes sociais, com forte presença de influenciadores digitais, os chamados “finfluencers”. Apenas 28% foram exclusivamente virtuais, enquanto 12% aconteceram apenas presencialmente.
O modelo híbrido, que combina eventos presenciais e atividades online, cresceu de forma significativa, passando de 18% em 2017 para 58% em 2024.
Esse crescimento acompanha a ascensão dos influenciadores de finanças, que somam 208 milhões de seguidores nas redes sociais, segundo o relatório. Essas personalidades têm ampliado o interesse do público por temas como planejamento financeiro, organização do orçamento, poupança e investimentos.
Além dos conteúdos publicados nas redes sociais, 73% das iniciativas utilizaram postagens como principal formato, enquanto 60% apostaram em cursos de curta duração no YouTube. A ANBIMA destaca o potencial desses formatos para ampliar o alcance da educação financeira, especialmente entre jovens e públicos com menor acesso aos serviços financeiros tradicionais.
Perfil das iniciativas e fontes de financiamento
O relatório revela que 74% das iniciativas são gratuitas, sendo que 43% são financiadas por recursos privados, como empresas, instituições financeiras e associações. Apenas uma pequena parte conta com apoio público direto.
Em relação ao público-alvo, 55% das iniciativas são voltadas para pessoas físicas. Apenas 10% têm foco exclusivo em empresas e organizações, e quase metade (48%) das ações atendem públicos diversos, sem distinção de renda ou acesso a produtos financeiros.
Os orçamentos das ações variam bastante, indo de menos de R$ 1 mil a mais de R$ 500 mil por ano, o que mostra a heterogeneidade das iniciativas, que vão desde pequenos projetos locais até programas robustos com grande cobertura nacional.
O conteúdo mais comum nas ações é voltado a planejamento financeiro pessoal, mudança de comportamento em relação ao consumo, práticas de poupança e introdução aos investimentos. Muitos projetos também oferecem orientações práticas, como organização de despesas e metas de economia.
Geograficamente, o relatório aponta forte concentração das iniciativas na região Sudeste, com São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reunindo 66% das ações mapeadas. As demais regiões ainda possuem baixa representação, o que indica espaço para expansão da educação financeira em áreas menos assistidas.
Educação financeira mais eficiente, porém ainda desigual
Apesar da redução no número absoluto de iniciativas desde 2017, a ANBIMA considera que o cenário atual é mais eficiente, com ações mais direcionadas, estruturadas e integradas à realidade digital. O aumento do alcance e da presença nas redes sociais mostra que a educação financeira está se popularizando e se tornando mais acessível.
O estudo também aponta desafios importantes: a disparidade regional, a sustentabilidade financeira dos projetos menores e a necessidade de avaliar os impactos das ações sobre o comportamento financeiro dos brasileiros.
Para a ANBIMA, o relatório funciona como uma ferramenta estratégica para governos, educadores, empresas e sociedade civil, ao oferecer uma visão detalhada do que já está sendo feito e onde ainda há lacunas. A entidade planeja atualizações periódicas do mapa, permitindo monitoramento contínuo e estímulo a parcerias.
Com o avanço das tecnologias e a popularização dos conteúdos financeiros nas redes sociais, a educação financeira no Brasil está se transformando. Esse pode ser um dos caminhos para melhorar a relação da população com o dinheiro, combater o endividamento e promover maior inclusão financeira.


