O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta sexta-feira, 11 de julho, os resultados do Indicador Criança Alfabetizada, levantamento conduzido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) que revela o nível de alfabetização de crianças de até 7 anos no Brasil. Os dados apontam um avanço geral, mas ainda insuficiente para o comprimento da meta nacional estabelecida para 2024.

De acordo com o levantamento, 59,2% das crianças matriculadas no 2º ano do ensino fundamental foram consideradas alfabetizadas, ou seja, capazes de ler textos simples, localizar informações básicas em trechos curtos, compreender histórias em quadrinhos e escrever mesmo com alguns erros ortográficos. Em 2023, esse índice era de 56%.
A meta para 2024 era de 60%, e embora o número tenha crescido, o país ficou a 0,8 ponto percentual do objetivo. A avaliação envolveu cerca de 2 milhões de alunos de 42 mil escolas públicas e municipais, em 5.450 cidades brasileiras. Apenas Roraima não participou da pesquisa, alegando que cerca de 40% de suas escolas estão localizadas em territórios indígenas.
Estados brasileiros que atingiram a meta
Onze estados superaram ou atingiram o patamar de 60% de crianças alfabetizadas. O destaque ficou para o Ceará, que lidera o ranking nacional com um índice de 85,3%. Goiás (72,7%), Minas Gerais (72,1%), Espírito Santo (71,7%) e Paraná (70,4%) também figuram entre os mais bem colocados.
Veja os estados que atingiram ou superaram a meta:
- Ceará: 85,3%
- Goiás: 72,7%
- Minas Gerais: 72,1%
- Espírito Santo: 71,7%
- Paraná: 70,4%
- Pernambuco: 60,8%
- Mato Grosso: 60,6%
- Rondônia: 62,6%
- Santa Catarina: 62,0%
- Piauí: 59,8%
- São Paulo: 58,1%
Desigualdade regional
Apesar dos avanços pontuais, os dados expõem profundas desigualdades regionais. O estado da Bahia apresentou o pior desempenho, com apenas 36% das crianças alfabetizadas, seguido por Sergipe (38,4%) e Rio Grande do Norte (39,3%).
A situação do Rio Grande do Sul também chamou atenção negativamente. Em 2023, o estado tinha uma taxa de alfabetização de 63,4%. Já em 2024, caiu para 44,7%. De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, as fortes enchentes que atingiram o estado no ano passado comprometeram o ano letivo de milhares de crianças, o que impactou diretamente os resultados.
Os estados do Amazonas, Pará, Bahia, Paraná, Rondônia e o próprio Rio Grande do Sul tiveram desempenho pior do que o registrado em 2023. Todos eles estão recebendo atenção especial do MEC para garantir a recuperação dos índices nos próximos anos.
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Meta para 2030
Em 2023, o governo federal estabeleceu uma meta mais ambiciosa: até 2030, todos os estados brasileiros devem alcançar pelo menos 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. Para isso, programas de reforço escolar, capacitação de professores e ampliação da infraestrutura educacional estão sendo ampliados em parceria com as redes estaduais e municipais de ensino.
Segundo especialistas em educação, o avanço no índice nacional, embora tímido, sinaliza que os investimentos em políticas públicas de alfabetização começam a surtir efeito. No entanto, o ritmo ainda é insuficiente para garantir que todas as crianças brasileiras tenham direito à alfabetização plena na idade certa.
Conversão de dados para o real
Embora o relatório oficial não apresente os custos envolvidos, é importante lembrar que o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) foi a principal fonte de financiamento para os programas de alfabetização em 2024. Segundo dados do Tesouro Nacional, o Fundeb destinou aproximadamente R$ 248,2 bilhões à educação básica no ano passado. Deste total, parte significativa foi direcionada a programas de reforço da alfabetização.
Com base em dados do INEP e do MEC, cada aluno do ensino fundamental custa, em média, R$ 6.000 por ano aos cofres públicos, o equivalente a R$ 500 por mês. Multiplicado pelos cerca de 2 milhões de estudantes avaliados, estima-se um investimento de aproximadamente R$ 12 bilhões por ano apenas para manter esses alunos em sala de aula.
Apesar de o Brasil não ter atingido a meta de 60% em 2024, os dados apontam uma melhora no cenário da alfabetização infantil. O desafio, agora, é manter o ritmo de crescimento e reduzir as desigualdades regionais para alcançar os 80% prometidos até o final da década. Para isso, será necessário um esforço contínuo de gestores públicos, professores, famílias e sociedade civil.
A alfabetização é a base de todo o processo educacional. Quando uma criança não aprende a ler e escrever na idade certa, seu desempenho escolar tende a ser comprometido ao longo da vida. Investir nessa etapa é investir no futuro do Brasil.


